terça-feira, 30 de abril de 2019

Família do Codó ou da Mata do Codó

A ACALUZ - Associação Cultural Axé e Luz, apresenta mais uma pesquisa rica em informações e referências, com o olhar de nosso Historiador Diego Bragança de Moura. Que visa estudar minuciosamente e explorar o universo da Família de Légua, também Conhecida como Família do Codó ou da Mata do Codó. É um estudo amplo e rico de informações. Esperamos poder estar contribuindo com cada um dos visitantes de nosso site. Que este estudo sirva para ampliar o conhecimento de todos. Deixe seu comentário na postagem. E faça parte de nosso grupo de estudos no WhatsApp e Facebook.

Histórico Familiar:
Chefe da Família: Dom Pedro Angaço (Vodun Cambinda - Associado a Xangô Aganjú.

Esposa: Rosa Rainha

Filho Principal e Chefe da Família do Codó: Légua Boji Boá Trindade.

Filhos Principais da Família: Floriano Flor de Roma, Princesa da Pedra Fina, Angaçomé, Angaço Uno, Coli Maneiro, Príncipe Oliberanto, Princesa Flora, Princesa Rosa, Vó Maria Camundá, Rei Cacamador.

Filhos de Légua: Jacyra da Trindade, Dorinha Légua, Raio do Sol – Filho do Zé Raimundo, Lauro Légua, José Vaqueiro, Rosalina Légua, Neguinho de Holanda.

Aparentados: Joana Gunça (princesa) - Irmã de Légua, Maresia (turco) - Sobrinho, Xica Baiana – Sobrinha, Zé Lepredo e Zomador.


🎶A família de Légua tá toda na eira🎶
🎶A família de Légua tá toda na eira🎶
🎶Bebendo cachaça e quebrando barreira🎶
🎶Bebendo cachaça e fazendo poeira🎶

1. Uma história longa a ser contada:

Possivelmente esses encantados vieram para São Luís e foram se agrupar em Codó, não sendo originários de lá. Muitos dizem em suas cantigas terem “vindo beirando o mar”, talvez esta seja uma referência à sua chegada ao Brasil, e não a Codó, cidade que não é banhada pelo mar. Acredita-se que sejam de origem cambinda, mas até mesmo a origem cambinda é passível de ser questionada, pois em nenhum momento, nem nos nomes, nem em suas cantigas, fazem referência a alguma língua banto. 

Entretanto, mesmo tendo o Codó como sua cidade, o local de origem, muitos não habitam o Codó, tendo ali só se encantado e ido morar em outros lugares, como até mesmo a Ilha de São Luís, o Pará e adjacências. 

Os codoenses são muito próximos aos voduns Djedje, tendo desses muitos usos como a presença do mastro central, chamado eira, a árvore da vida, o tambor vertical (rum) chamado por eles de tambor da mata, se opondo aos batás horizontais dos nagôs. 

A família de Codó é muito ligada ao Vodun Nanã, também chamada de Vó Missã, e por isso, tem em seus fios de contas miçangas de Nanã (mariscado de Nanã), além de miçangas marrons, lembrando as matas. Trata-se de uma família importante que foi levada para o Pará, segundo a lenda, por Seu Chico Légua.
Todos os filhos de Légua usam chapéu de couro ou de palhinha/panamá. Como todas as demais famílias da encantaria, os codoenses recebem oferendas (comidas, bebidas, “cortes de animais sagrados”) e festas juntos, mesmo que seus filhos estejam ausentes. Mais abaixo iremos tratar de forma mais detalhada sobre as oferendas.



Como vimos, "quase" toda essa família vem da "região do Codó", município situado no cerrado maranhense e na bacia do Rio Itapecuru. Todos eles e elas (Caboclos e Caboclas - Boiadeiros e Boiadeiras) foram lavradores ou vaqueiros que andaram pelas estradas desse Brasil, e que por algum motivo ou razão voltaram na forma de encantados para essa região. Ou são originários de outras famílias, como a dos Turcos, que se agregaram por diversos motivos como afinidade familiar, se apresentando na forma de espíritos de luz para ajudar e guiar os seus filhos da Umbanda/Mina nessa imensa batalha contra o mal e para ajudar ao próximo a progredir pessoalmente e espiritualmente. Os caboclos e as caboclas, em geral são negros(as), algo que se deve ao fato de quando estavam na forma carnal, eram negros descendentes de pessoas que estavam na condição de escravos, de origem africana e/ou nascidos no Brasil, que com a expansão das lavouras de café e cana de açúcar, o gado que antes ocupavam essas regiões mais litorâneas, foram expulsos para os sertões (interior) do país e, com isso, também foi surgindo e se consolidando as atividades desses homens e mulheres como vaqueiros, boiadeiros, campinadores, ou seja, responsáveis na lida diária em cuidar dos rebanhos e de explorar e ocupar os sertões nordestinos desse país. Por isso, por suas histórias são entidades muito fortes, vigorosas e respeitadas. Segundo Mundicarmo Ferrett, "são entidades menos civilizadas e menos nobres que viveram geralmente de lugares afastados das grandes cidades e pouco conhecidos que sempre costumam vir beirando o mar ou “igarapés.” Aqui, com base na citação de Mundicarmo, permitam me fazer uma pequena análise. Se formos levar em consideração a parte que diz que vinham "beirando o mar ou igarapés", podemos fazer a relação com a própria atividade pecuária/vaqueira de conduzir o gado buscando sempre fontes de água pelos sertões nordestinos áridos e secos, para darem de beber ao gado e os próprios boiadeiros/vaqueiros. Como relatam em suas doutrinas/pontos/cantigas sempre estavam a lidar com a boiada, levando de um lado para o outro.


Em Codó, onde se diz que o caboclo “Brada” mais alto, afirma-se que aquela categoria de encantado é de Vaqueiros/Boiadeiros, homens e mulheres que lidam com o Gado, costumam gritar como se estivessem dobrando gado no campo. Família comandada por Légua Buji Buá, que se intitula filho de Pedro Angaço e Rainha Rosa. A Santa Bárbara tem sido proclamada protetora dos terreiros de Mina do Maranhão. Ela valoriza estes caboclos boiadeiros.
Codó é uma localidade reconhecida por seus terreiros, por ser uma região quilombola ligado ao terecô, ao tambor da mata, relacionada mais com os caboclos e a prática da magia negra. Entre os encantados mais importantes está ele, Légua Bogi Buá. Falar desta entidade, de sua família e dos seus dois lados (“banda branca” e banda “preta” – bem/mal) como sempre é dito pelo caboclo Lauro Bogi Buá que fala a seguinte frase:
“Eu sou Lauro Bogi Buá, uma banda branca e outra preta, metade de Deus e metade do diabo”.
Há diversos mitos de como e quando Légua Bogi chegou a essa região, tanto quanto em relação a sua família e seu comportamento dentro dos terreiros.

Em algumas casas, Légua Bogi é jovem, brincalhão meio rude e desbocado, tem numerosos amigos, gosta muito de bebida alcoólica e da brincadeira de Bumba meu Boi. Em Codó, ouvimos falar dele como o encantado mais velho do mundo, como filho desobediente e como um preto velho angolano. Em Viana (Maranhão), Légua Bogi é visto pelos médiuns (que tem vidência) como um preto-velho que usa chapéu, parecido com o falecido artista nordestino Luiz Gonzaga. Algumas pessoas o vêem caminhando na cidade; outras, andando sobre as águas do mar, sem afundar. Mas, conforme alguns “mineiros”, Légua também aparece como um boi preto, com uma estrela brilhante na testa, que ameaça “parti pra cima” do médium que não cumprir suas obrigações para com ele. Légua Bogi é um dos encantados mais antigos de Codó, mas a família de Légua entrou ali quando já havia acabado a euforia do algodão, e ele veio como um dos “filhos do gado”, daí porque aparece com chapéu de couro e rebenque. Eles “aportaram” no início do século XX como uma família já constituída e foram trazidos por Maximiana e por migrantes do Mearim e Codó.

Quando o caboclo Légua Bogi está incorporado sempre se refere ao lugar de onde veio, Codó. A ligação com essa região é relacionada no momento do transe, onde a entidade faz uma ponte entre o Estado que se encontra no momento do transe, por exemplo: Pará(PA) e Codó (MA).


Quanto à origem da encantaria de Légua Bogi Buá, contam nossos ancestrais daqui da nossa casa, que fica mais precisamente nas proximidades das cidades de Pedreiras e Bacabal na baixada do Mearim numa localidade chamada TRINDADE, dai a denominação Légua Bogi da Trindade. Como ele tinha muitos filhos, foram se espalhando nas cidades vizinhas, como: Codó, Santa Inês, Bacabal e outras. Quando veio o encanto, veio para a origem da família que ficava em Trindade, onde atualmente peregrinos visitam pra acender velas na grande pedra onde eles se encantaram, que segundo os fies, eles tem recebido graças dos pedidos feitos naquele local, considerado um ponto energético muito forte, um lugar sagrado.


Os Africanos ao chegarem na capital da província em São Luiz, eram vendidos e enviados as fazendas do interior das zonas rurais do sertão maranhense. Quando chegavam, principalmente, em Caxias ou Codó, se organizaram em grupos grandes, que ficaram conhecidas, até mesmo por definição impostas pelos europeus e escravistas, como "Nações", que reunião negros na condição de escravos, não pelos locais de origem, mas sim, pelos locais/portos de embarques no continente africano para os navios negreiros. Reunidos em grupos/nações se adaptavam e, muitas vezes se união para preservar e compartilhar as suas crenças e, assim, cultuavam as várias ramificações das culturas religiosas, tais como: Mina, Jeje/Nagô e outras. E com estas mudanças em um processo de construção, reconstrução, adaptações e miscigenações culturais e ritualísticas, eles foram se aprofundando em misturas de várias culturas, perdendo assim, sua liturgia original, tanto em costume quanto em hierarquia. Criaram novos mitos que muitas vezes confundem-se as origens e histórias dos encantados e voduns cultuados em seus rituais.


Exemplo: Os primeiros voduns trazidos pelos africanos sofreram modificações severas (exógenas), podemos até chamar de metamorfose, tanto nos nomes e modos de agir, quanto em sua pureza original. Verificamos que voduns nobres da Família Daomeana como o ÀGÁSSÚ, passou a ser cultuado como Dom Pedro Angaço. Com a titularidade da família do Codó. O Vodun Poly Boji, da família de Dambirá (Sr. Acossi sakpatá), responsável pelas doenças, destaque para Varíola, passa a ser Légua Boji Boá da Trindade, perdendo sua postura nobre e ganhando o titulo de brigão, beberrão. Légua se manifesta, ora como Vodun, ora como Fidalgo, ou mesmo Caboclo Africano adotado por um Gentil - Dom Pedro Angaço ora como Preto Velho ou Vodun Cambinda da Mata de terecô. Vale ressaltar aqui, que essas visões, interpretações, representações e apresentações diferentes das originais advindas do continente africano, se devem a todo esse processo de mistura, miscigenação, aculturação, adaptação e até de resistência. Resistência, pois na tentativa de valorizarem suas práticas religiosas e, mesmo, escaparem de certas visões negativas acabaram incorporando, associando e assimilando práticas e saberes externos e alheios a própria origem africana e regional, ao ponto, de com o passar do tempo se configurarem como elementos próprios e inerentes as próprias práticas e vivências religiosas.

Existem duas Versões afirmativas para a Origem da Identidade Africana de seu Légua Boji: Ele é um Vodun Cambinda que Venera São Bartolomeu e Santo Expedito... e a outra é uma fusão de duas entidades daomeanas - BARA (Exú) ou Légbá e o Vodun Poli Boji, E este adora Santo Antônio. Aqui temos o elemento cristão de vertente católica associado e assimilado as práticas religiosas afro-brasileiras. A comparação a Légbá, nos remete ao que já foi citado nesse texto quando falamos sobre "banda Preta e Branca". Se vocês pararem para analisar entenderão que ele, Seu Leguá, é dotado de dois atributos, BOM e MAU. Mas não em uma visão maniqueista extrema e, sim, mais humana que analisa todos como providos de ambos os sentimentos, formas de ser e agir, sem que isso seja algo contrastante ou conflituosa.  


Existe um fundamento dentro do povo de Légua que é pouco comentado. Talvez por sua base de transmissão seguir a tradição africana da oralidade, ou seja, ser apenas de boca para ouvido entre membros do culto. E, não se tem registro oficial digitado ou publicado sobre tal assunto, que são OS PRÍNCIPES DA FAMÍLIA DE LÉGUA. Então se fala em SETE PRÍNCIPES, dos quais: JOAQUIM LÉGUA BOJI BUA. LÉGUA BOJI BUA DA TRINDADE. CICERO LÉGUA BOJI BUA. MANOEL LÉGUA BOJI BUA. DOUTOR LÉGUA BOJI BUA. PEDRO PAULO LÉGUA BOJI BUA. ANTONIO LÉGUA BOJI BUA. Esses SÃO OS 7 LÉGUA LE-BARÁ(LE de Légua e BARÁ de Exu). PRÍNCIPES DOS LÉGUAS BOJI. Sistematicamente conhecidos por serem Exus, por serem BARÁ - OS ENTÃO PRÍNCIPES DE ELEGUÁ. Está informação é importante para os assentamentos e fundamentos de Quarto fechado. Uma coisa é o Caboclo dizer que é boiadeiro na boca do tambor e, a outra coisa é o fundamento feito no quarto do segredo em cima do Médium manifestado com um dos guias citados acima. Se alguém aqui não sabe ou não ouviu falar na relação Légua e Exu, Vida e Morte, Branco e Preto. Precisam se aprofundar nas suas pesquisas e saber que o povo de Légua além da fama tem muito segredo escondido. Que, como citei, só vai de boca para ouvido dentro do quarto de fundamento.


Como eu disse e repito, se estudarmos a fundo, saberemos o que realmente os antigos queriam dizer quando retratavam os léguas como Exú, como já dito várias vezes, por ser um cara mau, brigão, de pouca conversa e muita porrada fizeram relação através disto, relacionando Eleguá, que é um Exú a Légua Boji. E quando eu digo vieram, na verdade quis dizer foram trazidos, Légua Boji é Africano e já era muito conhecido lá nas bandas do Caribe, bem antes de surgir nos terreiros maranhenses. Segundo o finado pai Euclides cita em seus estudos, que quando ele era ainda criancinha já ouvia falar por mãe Maximiana que Légua foi expulso da África por provocar discórdia, atravessou o atlântico e chegou em Trinidad, onde  permaneceu por um longo período, porém continuou do mesmo modo arrumando confusões e teve de sair de lá também, e veio parar no Brasil, mas precisamente no Maranhão, indo se fixar em Codó, onde entrou na família de Dom Pedro Angaço.


Posso concluir então, que dentro desta família se agrupam os verdadeiros agregados de boiadeiros da Mina Nagô, também chamados, mas pouco conhecidos aqui pelo Pará de NOBRES HUDAVISSE, possuindo grande influência cambinda, porém, com conhecimento, cultura e tradições dos Mineiros.
🎶Seu Légua quando chega🎶
🎶Vem fazendo Confusão🎶
🎶Arranca tamanca do boi, seu Légua🎶
🎶Lugar de peso é no chão🎶

Légua Boji – Também chamado de José Légua Boji Buá da Trindade, é o pai e Chefe da família de Codó (Algumas pessoas dizem Rei da Família de Codó); algumas vezes confundido por estudiosos com o vodum Elegué (de Cuba) e outras com o vodun Tóy Poli Boji. É muito alegre, brincalhão e apreciador de bebida na cabeça dos médiuns que ele passa, mas no Pará, sempre se apresentou como um homem sério, tradicional e ranzinza. Foi grande destaque na cabeça de Pai Prego (Astianax de Oxumarê), o primeiro paraense raspado no candomblé, por volta de 1930. Seu Légua Boji é por assim dizer o Rei de Codó e sua falange é da mata de Codó e Pindaré, povo de Caxias de Dom Pedro Angasso, Rosário, Coroatá, Vale do Mearim, Vale do Itapecuru e Vale do Pindaré. Teria sido Zé Bruno que fundou a Vila de Nazaré do Zé Bruno, que, incorporado com Seu Légua Boji Buá, batizou os codoenses com nomes brasileiros, pois segundo ele, os Caboclos do Codó tem nome Cambinda.

🎶Ele é Zé Raimundo,🎶
🎶Zé Raimundo Camarada (bis)🎶
🎶Ele é Zé Raimundo morador da beira D’água (bis)🎶
🎶Não lhe chame de Raimundo🎶
🎶Ele não é seu “pariceiro” (bis)🎶
🎶Ele caboclo do Codó🎶
🎶Ele é Malvado e Feiticeiro (bis)🎶

Zé Raimundo Boji Boá Sucena Trindade – encantado maduro, conhecido como Zé Raimundo, é filho de Dom Manoel com a Rainha Rosa, mas foi criado por Seu Légua Boji. É grande conselheiro, encantado extremamente equilibrado e que nunca exige nada quando está em terra. Usa calça arregaçada, chapéu de couro, de palhinha (panamá) e mesmo com as baixas temperaturas do inverno ele, bem como seus irmãos, dançam sem camisa, apenas com toalhas estampadas jogadas a tiracolo. Apresenta-se como sendo mais do mar do que da terra. Desce na linha de cura mas não perde a sua postura codoense. Dirige rituais e é considerado como o melhor para “pôr ordem na casa”. Gosta de músicas da terra. No Pará também é conhecido como Camaroeiro, Rezingueiro e Zé Raimundo do Bogari, local onde teria sua encantaria. Outros dizem ser ele filho do Rei da Turquia que foi dado a Pedro Angaço e Criado por Légua, daí surgiu a grande amizade entre estas famílias e a permissão da entrada dos nobres na família do Codó, sendo ele filho do Rei da Turquia nunca revelado nos fatos históricos narrados nos terreiros e ficando apenas nos fundamentos de Boca para Ouvido, seu nome turco seria Djakilititan Ramos de Alexandria, outros dizem que seu corpo estava preso na rede de pesca de seu légua e ao ser tocado pelo Rei da Família do Codó, despertou para a encantaria e foi adotado pelo mesmo. São várias história, uma coisa é certa. Quem tem este encantado tem um grande guia espiritual, foi a curiosidade maior nem é os meios de seu encante, mas sim, uma de suas linhas que ele vem como Mestre Curador em mesa branca na Doutrina Espirita. Então este encantado, com toda certeza, esconde muitos segredos e possui várias linhas para entrar no mundo dos vivos através dos portais dos encantados.

🎶A estrela que me alumeia🎶
🎶Alumeia no meio do mar🎶
🎶É o mestre camaroeiro🎶
🎶É caboclo nobre no meio do mar🎶

Joana Gunça – É uma encantada que surgiu com mais três irmãs, Ida Gunça, Cármen Gunça e Maria Gunça, todas consideradas irmãs de Légua Boji. Tem postura de Vodun que faz bons trabalhos na linha de cura. Passa em casas de umbanda, de mina, cura, pena e maracá, ou seja, nas diversas vertentes do culto aos encantados e caboclos, como codoense e irmã de Zé Raimundo.

🎶Ela estava em seu castelo🎶
🎶Pra que foram lhe chamar🎶
🎶É ela Joana Gunça, é ela flor do mar🎶
🎶Ela vem na Maresia, no grande rolo do mar🎶
🎶É ela Joana Gunça, é ela flor do mar🎶 


Maria de Légua – também chamada de Maria Légua, encantada madura, muito brincalhona e farrista, mas com bom senso de direção de uma casa. É muito querida por seu pai Légua. Algumas vezes é confundida com sua irmã, a princesa Dona Maria José, esta também chamada Florzinha.

🎶Não tô bêbada(bis)🎶
🎶Ainda hoje eu não bebi🎶
🎶Me chamo Maria Légua🎶
🎶Filha de Légua Boji🎶

Oscar de Légua – é um codoense maduro, é sério sem ser necessariamente antipático. Também chamado de Oscarzinho de Légua é filho de Rainha Dina e Légua Boji. Toma vinho mas também gosta de cerveja. É muito bonito e altivo, muitas vezes transformado num encantado galanteador e parecendo bem mais jovem, mas dentro da família todos sabem que ele já é de uma certa idade.

🎶Vou dizer o meu nome🎶
🎶Para saber me tratar🎶
🎶Me chamo Oscar de Légua🎶
🎶Filho de Légua Boá🎶

Teresa de Légua – também conhecida como Dona Teresinha, Teresa Légua ou somente Teresa, está entre as principais filhas de Seu Légua. Em geral alterna momentos de grande alegria com outros de grande senso de comando, impondo aí sua posição dentro da família. É uma das maiores “baiadoras” (dançadoras) do tambor de mina. Muito equilibrada, em nenhum momento se confunde com a posição hierárquica de sua família e, ao lado de Chica Baiana e Antônio de Légua.


Yalorixá Omin Lewancy Andreia Leite

🎶Tereza Légua chegou🎶
🎶Foi no rufar do Tambor🎶
🎶Levanta e sacode a poeira abatazeiro🎶
🎶Que Tereza Légua chegou...🎶

Francisquinho da Cruz Vermelha – é como é conhecido o codoense Francisquinho de Légua. Encantado maduro, bastante machista, mas que não critica a opção sexual dos filhos e nem gosta de comentários sobre esta questão.

🎶Francisquinho da Cruz Vermelha(bis)🎶
🎶Aeá da Cruz Vermelha(bis)🎶

Zé de Légua – possivelmente seria o mais velho, ou um dos mais velhos da família; muito confundido com seu pai José Légua Boji Buá. É bastante alegre e também chamado Zezinho de Légua ou Zé Légua. Tem poucos filhos e está relacionado entre os principais filhos homens da família.

🎶Meu pai é Légua eu sou Légua🎶
🎶Sou da Família de Légua🎶 

Dorinha Légua – é encantada jovem; algumas vezes chamada de Dorinha de Légua, está entre as principais mulheres da família. É muito alegre e brincalhona; é muito ligada ao pai.

🎶Dorinha Légua tá no congar🎶
🎶Dorinha Légua tá no congar🎶
🎶Com o seu chapéu de lado🎶 
🎶Ela veio pra trabalhar🎶
🎶Com o seu chapéu de lado🎶 
🎶Ela veio pra trabalhar🎶
🎶Firmou ponto nessa eira🎶 
🎶Como a força lá do mar🎶
🎶Firmou ponto nessa eira🎶 
🎶Como a força lá do mar🎶
🎶No vento da maresia🎶
🎶Seu cavalo veio selar🎶
🎶No vento da maresia🎶 
🎶Seu cavalo veio selar🎶

Antônio de Légua – Também está entre os principais filhos de Seu Légua. Mesmo assim é brincalhão e farrista, gosta de vir fora dos tambores e é sempre o encantado que faz visitas externas a outras Casas. Gosta mesmo é de ser chefe de terreiro e comandar os rituais, sempre chegando na Frente, até mesmo antes de iniciar o tambor.

🎶É hora é hora🎶
🎶O galo já cantou🎶
🎶Antônio Légua aqui chegou🎶

Expedito de Légua – é maduro; é um dos principais filhos e é quem comanda o Axé mina de Mãe Solange de Abê (aqui em Belém do Pará), filha de Pai Francelino. Brincalhão, gosta muito de beber e fumar, é muito galanteador com as mulheres. Sempre se apresenta de chapéu de couro e cabresto de laçar boi na mão. Diz-se ser um caboclo “cuíra” (irrequieto). 

Lourenço de Légua – é um dos principais codoenses, muito próximo ao pai. Em quase todas as casas desempenha papel fundamental na família. Sempre muito responsável e a frente dos rituais chefiando e organizando. É extremamente alegre.

🎶O gado vai🎶
🎶O gado vem🎶
🎶Lourenço Légua vai correndo atrás (2x)🎶
🎶E o Lourenço tá no Boi, boi boi🎶
🎶Lourenço Légua tá no Boi...🎶

Aleixo Boji Buá – é codoense do Vale do Mearim, sendo uma ramificação de Seu Légua; é novo e meio cismado. Tem filho em algumas Casas, porém desce muito pouco.

Zeferina de Légua – não é muito conhecida e também seria uma descendente de Seu Légua no Vale do Itapecuru.

Pequenininho – é tido como o mais velho dos filhos de Seu Légua e tem uma importância muito grande na família. Dança bastante na boca do tambor, gosta de usar chapéu de palha e tem postura de um homem bastante maduro.

🎶Sou Pequenininho desaforo não aturo🎶
🎶Minha faca tá amolada e meu facão tá na cintura🎶

🎶Sou Pequenininho da Beira do Garapé🎶
🎶Não trabalho para macho🎶
🎶Que fica besta pra mulher🎶

Manezinho Buá – é também chamado Manuel de Légua, Manoel Boá, Manoel Boço, Manoel da Vera Cruz, Manezinho da Cruz  Vermelha; está entre os principais filhos de Seu Légua, tem grande poder de decisão, é extremamente alegre e brincalhão. Gosta muito de conversar e de cantar no tambor.

🎶Manoel Boço🎶
🎶Manoel Boá🎶
🎶Manoel da Vera Cruz🎶
🎶Manoel Boá🎶
🎶Manoel da Cruz Vermelha🎶
🎶Manoel Boá🎶

Zulmira de Légua – é uma ramificação codoense de Seu Légua no Vale do Pindaré, que foi aparecer em Manaus na Casa de Badé, sendo pouco conhecida, mas adora turbantes e panos coloridos. É encantada jovem.

Mearim – é um codoense que apesar de não estar entre os principais filhos de Légua, comanda uma grande ramificação de Seu Légua na região do Vale do Mearim, de onde tomou seu nome. Sabe cantar e dançar muito bem. É jovem e às vezes quer ser um grupo independente. Ter a sua própria família de Boiadeiros, os chamados Boiadeiros de Mearim.

🎶Mearim, Mearim, Mearim Codó🎶
🎶Codó não é Mearim🎶
🎶Mearim não é Codó🎶

Folha Seca – está como um dos principais; é encantado maduro, dizem ser legítimo filho de Légua.

🎶Eu nasci no arvoreiro🎶
🎶E me criei lá no alto do mar🎶
🎶O meu nome é Folha Seca🎶
🎶Filho de Légua Buá🎶

Maria Rosa – é uma das filhas de Seu Légua pouco conhecida, tendo se popularizado no Pará. Muitas vezes é confundida com Rainha Rosa, senhora do Codó, de quem empresta suas cantigas, fazendo algumas adaptações. Foi muito famosa na cabeça de Mãe Ester de Oiá (Belém). Trabalhando na cura e aconselhamento, sempre muito obediente a seu irmão Antônio de Légua. Dirige tambor e é tida como muito bonita. 

Caboclinho – às vezes vem no Codó e outras vezes na família da Mata sendo caboclo “passeador”, aquele encantado que vem em várias famílias. É jovem, alegre, gosta de dançar e beber. 

João de Légua – um dos filhos de Seu Légua pouco conhecido. Maduro, alegre e algumas horas chamado de Joãozinho de Légua. Tem poucos filhos.

Joaquinzinho de Légua – também conhecido como Joaquim de Légua e faz parte do grupo dos principais da família; algumas horas é confundido com Joaquinzinho da Gama. Não tem muitos filhos. 

Pedrinho de Légua – um dos principais filhos de Seu Légua; jovem, alegre e muito embora seu nome seja Pedro, nunca admite ser assim chamado. Tem grande importância na família por saber doutrinar cantigas antigas.

Dona Maria José – é também conhecida como Dona Florzinha e aí se apresenta como princesa, aliás, uma das raras do Codó e que mesmo quando sua família passou para o Codó adaptando-se ao povo da terra e perdendo a condição vodun, ela se manteve princesa e se diz “vodunsa”. Está entre as mulheres mais importantes de sua família, sendo que alguns mineiros a confundem com sua irmã Maria de Légua.

🎶Que flor mais linda, que ela é🎶
🎶Ela é linda flor de maio🎶
🎶Ela é Maria José🎶
🎶É Maria José(bis)🎶
🎶Que flor bonita que ela é...🎶

Coli Maneiro – é um dos principais homens filhos de Légua, sendo menino. Ainda bastante conhecido e tendo muitos filhos, é extremamente extrovertido.

Martinho – também está no grupo dos principais filhos de Seu Légua, mas, ao contrário de seus irmãos, tem poucos filhos. É adulto e seguindo a tradição da família gosta de fumar e beber. 

Miguelzinho Buá – algumas vezes é chamado Miguelzinho de Légua, Miguelzinho Boji, está dentre os quinze principais homens da família. Ainda é bastante conhecido e tem muitos filhos. Seu nome é Miguel Boji Buá(...). Tem o mesmo costume que seus irmãos. 

Ademar de Légua – fecha o grupo dos principais filhos, mas é bastante desconhecido no meio dos mineiros, a não ser entre os que mantém em suas casas um culto mais regular da família de Codó.

Zé Pretinho: Camaroeiro, muito respeitador, sempre sério, comanda seções, gosta de tomar cachaça pura, é um agregado de Légua, é o boiadeiro chefe de nossa casa ACALUZ - Associação Cultural Axé e Luz. Faz trabalho com os que procuram melhorar sua saúde e bem estar. Tá sempre com seu chapéu, seu rosário Marrom, Branco e Amarelo com sementes. Fuma cigarro normal. Mas gosta de beber na cuia. É mestre de Catimbó Jurema, mas se confunde com Malandros da Praça Mauá, nascido no morro do Cantagalo no Rio de Janeiro, além de muitos outros que devem existir no meio dos boiadeiros do Codó.

I
🎶Ele veio no clarão da Lua🎶
🎶Vem montado em seu alazão🎶
🎶É boiadeiro, José Pretinho ele não é feiticeiro não🎶

II
🎶Zé Pretinho é Caboclo Faceiro(bis)🎶
🎶Só anda montado, no morro de areia🎶
🎶Só anda montado em cavalo alheia🎶

Além desses ainda aparecem na família de Seu Légua: Seu Aderaldo de Légua, mais conhecido como Aderaldo Boji Buá, além de Benedito de Légua, Joventino de Légua, Marcelino de Légua, Nezinho de Légua, Valquiria de Légua, Ricardo de Légua, Domingos de Légua, Benedita de Légua, Francisquinha de Légua, Firmino Légua, Venâncio Légua, Hilda Légua e mais recentemente pudemos conhecer as encantadas Légua Salana, Leguarana, ambas da Casa do Babalorixá Orlando Bassu Machado. Nitidamente uma legião de encantados agregados a uma única família. E ainda sim, faltam muitos nesta relação. 

I
🎶Já selei o meu cavalo🎶
🎶Ainda ontem não selei🎶
🎶Eu vim baiar na mina🎶
🎶Para ver se está como eu deixei🎶


II
🎶O povo de Légua 
🎶É vaqueiro sim senhor,
🎶Na eira do meu pai,
🎶Todo LÉGUA é baiador,

III
🎶O povo de Légua vem beirando o Igarapé🎶
🎶Vem chegando aqui na eira🎶 
🎶No balanço da maré🎶

IV
🎶Da cachaça pra esse povo🎶
🎶Que na eira já chegou🎶
🎶Eles vem balançando🎶 
🎶Na pancada do tambor🎶

Ainda vem na família um encantado chamado Antônio Luís, também chamado de Corre Beirada, que é filho de Dom Luís Rei de França mas foi criado por Seu Légua. Turco agregado aos boiadeiros, há outros que dizem que ele é irmão de Légua, assim como muitos.
I
🎶Corre Beirada já chegou🎶
🎶Corre beirada...🎶
🎶Corre beiras e beirinhas🎶
🎶Corre beira das casadas🎶
🎶E também das solteirinhas🎶

       II
🎶Se chama Antônio Luiz🎶
🎶Estrela da Madrugada🎶
🎶Na mata do Maranhão🎶
🎶Se chama Corre Beirada🎶

Como vimos, esta família é Comandada por Dom Pedro Angaço, suas cores litúrgicas são: Marrom - Representando a Família de Vodun Jeje. Vermelho - Representando Toy Badé, Amarelo - Representando Santa Barbara, Rainha do Codó. Branco - Representando a origem mistica de Lissá-Mawú, o branco da paz.
Camaroeiro
Fica a critério de cada casa a montagem de suas guias e Rosários, pois depende muito da entidade, mesmo que eu diga que as balizas e firmas são sempre marrom e amarelo, vocês vão dizer que é branca. Aqui na Associação Cultural Axé e Luz (ACALUZ), codoense usa Marrom, Amarelo, Preto e Branco.
E muitos pais de santo no Maranhão dizem que as cores dos rosários da Família de Légua na verdade está ligada a Bandeira do Estado (A bandeira do Maranhão, adotada oficialmente do dia 29 de dezembro de 1889 pelo Decreto nº 6, foi criada pelo poeta Sousândrade. As cores vermelha, preta e branca simbolizam a mistura de raças do povo do Maranhão. No canto superior esquerdo está um quadrado azul como fundo que representa o céu, e uma estrela branca de cinco pontas que simboliza o Estado como integrante da federação. A faixa governamental maranhense, que também é um símbolo estadual, segue as cores da bandeira).
Eles costumam beber TIQUIRA (bebida tradicional do Maranhão), Cachaça, Vinhos e outras bebidas destiladas, além das bebidas litúrgicas como AFURÁ, VEVÉU e ALUÁ. Fumam Charutos e Cigarros, sendo que os mais velhos da família costumam fumar Cachimbo. Usam lenços estampados, hora amarrados na cabeça por debaixo do chapéu, hora passado pelos ombros e, por vez, feito laços no braço, este uso afirma sua origem Moura (Povos originários do norte do continente africano, principalmente, do Marrocos, Mauritânia, Tunísia dentre outros, de religião Islâmica que dominaram a península Ibérica há muito tempo).

Em seus rituais de fundamento são utilizados o ABOBÓ (Comida preparada com feijão branco de olho preto e azeite de dendê, em alguns lugares como aqui mesmo no Pará é feito com Abobora ou Moranga, Milho de Galinha Cozido, Coco em pedaços, Enfeitado com Tabaco desfiado, regado com dendê, cachaça e mel), que são consumidos por filhos e entidades. Os animais de sacrifícios nos assentamentos são Galos ou Galinhas mouras, pombo pedrês, o Chibarro (bode). Adoram Santa Barbara, como sua santa maior de devoção, com o nome de Maria Barbara Soeira com quem abrem ou fecham seus rituais...
Légua tem seu nome ligado às memorias do tempo do cativeiro como protetor dos escravos e seu defensor nas lutas espirituais ou materiais travadas com os senhores. Os negros viviam roubando gado para comer e quando o dono dava por falta do boi, começava logo a bater/torturá-los nas senzalas. Aqui vale destacar, que os negros faziam uso desse expediente, do roubo de gado dos seus senhores, por se alimentarem muito mal, ficando longos períodos sem receber alimentos e, quando isso ocorria, não satisfazia suas necessidades nutricionais. Um dia um negro estava sendo castigado e invocou a proteção de Légua e este fez com que o senhor visse um boi no Curral e, assim, parou de castigá-lo. Este episódio explica porque várias doutrinas de Légua falam em boi.
Agregados na família de Légua ainda temos, Boços e Voduns Cambinda: Dom Pedro Estrela, Corre Beirada, Dom João de Aroeira, Boço Memeia, Boço Vandereji, João Soeira - Vodum Cambinda, de origem Austríaca, chefe da família dos Bastos, Rei das Minas, Equivalente a Xangô Dadá. E com ele sua família: Boço Fama, Boço Jara, Dom José da Graça Lira, Onofre Caçador da Mata, Barão de Anapueira, Rosa de Maceodá, Zé de Amar a Deus, Carrinho Doeira, Estrela Ferreira do Céu...

Seu Légua a partir de sua entrada na família do Codó, começou a tomar benção de Dom Pedro Angaço em respeito pelo acolhimento, passando assim a ser considerado como filho e passou a ser reconhecido como tal. Em gratidão Dom Pedro Angaço, deu a seu Légua a Chefia da Linha de Caboclos da Mata do Codó, sendo ele o principal representante. E por ter vindo de Trinidad Légua Boji passou a ser chamado de Légua Boji Boa da Trindade. Seu maior segredo é que ele é COJUBA/ROTO (Tem os testículos desenvolvidos de forma monstruosa, uma espécie de Hérnia) e, portanto, não possui nenhum filho de sangue, apenas de Criação e Respeito. Existe no Maranhão uma divisão na Família de Légua em três grupos, que são: Os Vaqueiros, Os Capineiros e os tangedores de Gado. Boiadeiro só existe um, seu Légua, que comanda toda boiada.
🎶Toro e Cavalo Brabo ele amansa🎶
🎶Ele não tem medo (da Onça)🎶
🎶Ele Saiu da Mata🎶
🎶Foi de manhã bem sedo🎶
🎶Toro e Cavalo Brabo🎶
🎶Ele Faz é Brinquedo🎶
Como podemos perceber, a Família do Codó, o povo de Leguá apesar de ser umas das mais famosas do universo místico-religioso da umbanda, terecô, tambor da mata e da Mina. Ainda possuem muitos fundamentos, saberes e segredos a serem discutidos, revelados e rememorados. Um povo do plano superior que representa fortemente a própria população brasileira terrena, em sua diversidade, alegria, modo de ser e agir, histórias de luta, trabalho, sofrimentos e que por agregar, reunir e acolher a todos que a ela recorram no mundo cósmico e que ainda recorrem no mundo concreto, representa o que há de mais humano e forte - o amor que ultrapassa os limites entre os mundos. 


Por isso, irmãos e irmãs de fé, aprendemos com os exemplos nos dado por Pedro Angaço e Seu Leguá Boji Buá, que aceitam a todos e a todas em sua família sem fazer distinção de cor, classe social, origem e/ou sexo. Mas sim, enxergaram e enxergam as suas potencialidades e capacidades de olhar pelo próximo em novas missões pelo bem daqueles que ainda estão em busca de suas evoluções espirituais.
  I
🎶Já baiei, já baiei🎶
🎶Vou embora para o Maranhão🎶
🎶Vou levar minha boiada🎶
🎶Pra passar no boqueirão🎶

II
🎶Daqui para minha casa são sete léguas🎶
🎶Por mar ou por terra são sete léguas🎶
🎶Sete léguas, sete léguas🎶
🎶Por mar ou por terra são sete léguas🎶

III
🎶Vou embora pro Maranhão🎶
🎶Que no Pará ninguém quer🎶
🎶Sou moço sou temeroso🎶
🎶Sou homem, não sou mulher🎶

Bibliografia de Leituras recomendadas no site da ACALUZ.
http://www.acaluz.com/2012/11/encantaria-maranhense-um-encontro-do.html
http://www.acaluz.com/2009/12/cantando-para-boiadeiros.html
http://www.acaluz.com/2009/07/legua-bogi-bua-uma-pequena-historia-de.html
http://www.acaluz.com/2009/07/gira-de-boiadeiros.html
https://www.facebook.com/Acaluz/?ref=bookmarks

Por. Adriano Figueiredo - Presidente da ACALUZ
Imagens: Acervo da ACALUZ e do Google - Meramente ilustrativa.
Texto atualizado em 30/04/2019 - às 14h00.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Encantados ou Lendas?


Em 27 de junho de 2018, faleceu uma Jovem por nome Sara, no interior do Estado do Pará, no Arquipélago do Marajó, extremamente saudável. Pela manhã, do mesmo dia, ela participou da festinha da escola de sua filha.

A tarde, por volta das 15h00, foi pescar na beira de um lago, próximo de sua casa, sozinha. E quando lá chegou, viu que tinha algo que saia da água, colocava a cabeça do lado de fora, fazia um barulho estranho e ficava olhando para ela e mergulhava novamente.

Ela achou que podia ser um animal qualquer. Porém, sentiu uma pontada no peito e na cabeça, com dores intermináveis. Procurou a unidade de saúde que fica próximo a casa dela, e lá fizeram todos os exames iniciais de emergência. E estava tudo normal: Pressão, glicose, temperatura, batimentos.

Mas algo inusitado aconteceu, o enfermeiro plantonista, que é da Umbanda, se incorporou ao ver a moça berrando aos gritos, dizer que tinha uma voz chamando-a para ir ao lago:
"Ele ta me chamando - eu já vou... Já tô indo meu pai! dizia Sara aos gritos e prantos.

O caboclo que baixou, seu Rompe Matas, estava fazendo de tudo que podia para ajudar a moça... Ela havia sido "flechada" pelo dono do lago, onde ela não pediu licença para pescar, disse o caboclo.

Acredita-se, e os mais velhos e sábios explicam, que para adentrar rios, lagos e florestas, deve-se pedir permissão, pois em cada lugar existe um guardião sagrado.

O corpo dela ainda está no posto de saúde, estão todos desolados. A jovem Sara veio a óbito ao amanhecer, o trabalho de tentar recuperá-la durou a noite toda, e o caboclo, Sr. Rompe Matas não abandonou um só minuto, fez tudo que pode: passes, defumações, unguentos. Mas ela já chegou tarde de mais. 

O Arquipélago do Marajó, assim como a floresta amazônica como um todo, ainda guarda seus segredos.

Ela morreu instantaneamente, sem infarto fulminante, sem dor. Apenas morreu quieta deitada nos braços do Caboclo que lhe amparou.

Aos 23 anos de idade, deixou uma filha pequena para a avó.

Meus sinceros respeitos a entidade que prestou todo atendimento dentro do posto médico. Conforto no coração da família. Isso é o segredo do sobrenatural que ainda existe. 

O Caboclo Rompe Matas antes de partir deixou um recado a todos:
"Meus filhos, nunca entre na casa de ninguém sem pedir permissão, bata palmas, peça licença, peça o seu agô".

Doutrina: 
Entrou na mata sem pedir licença
A Cabocla Jurema não lhe deu agô
na mata virgem também tem seus orixás
E a Cabocla Jurema é Rainha do Juremá.
(doutrina da Umbanda Sagrada que dispensa traduções).

E o Caboclo Rompe Matas, finalizou com o seguinte fundamento:
"Ela foi, mas ela vai voltar..."

Por. Adriano Figueiredo em 27/06/2018