segunda-feira, 10 de junho de 2019

SEGREDO DAS VELAS



VELAS E SUAS DEFORMAÇÕES
MINHA VELA BORRADA O QUE ISSO QUER DIZER?

A Umbanda é uma religião que trabalha com energia, portanto, ela pode se movimentar de ponta a ponta, de forma neutra ou intencionada. Sendo intencionada, podemos identificá-la como positiva ou negativa, recebida ou negada, desviada, redirecionada, etc.

Se formos olhar a definição de dicionário, "energia" nada mais é do que a capacidade de um corpo, objeto ou molécula realizar seu trabalho. Se formos pensar em "energia de vela", seria a capacidade que a vela tem de executar o seu trabalho (quebra demanda, proteção, maldade, reversão, desvio, anulação, potencialização, cobrança, correção, direcionamento, etc).

Muitas pessoas que acendem velas se perguntam: "Olha como minha vela ficou", o que isso quer dizer? Para responder essa pergunta primeiro é necessário levantar quais variáveis borram uma vela. Sua vela pode borrar por estar exposta ao vento (ventilador, janela aberta, porta aberta, alguém que passou correndo, etc), pode borrar pela má qualidade da cera, pode apagar várias vezes pela má qualidade de um pavio, etc.

Durante a preparação da vela, previamente à ignição, o pavio é saturado com o combustível na forma sólida. O calor do fósforo ou outra fonte de fogo vai derreter e vaporizar uma pequena porção de combustível que, no estado gasoso vai combinar-se com o oxigênio da atmosfera para formar a chama.

A chama vai então providenciar calor suficiente para manter a vela acesa, numa típica reação em cadeia auto-sustentável: o calor da chama derrete a superfície do combustível sólido, liquefazendo-o e fazendo-o deslocar-se em direção ao pavio e subi-lo, por capilaridade. O líquido passará, com o calor, para o estado gasoso, que vai ser consumido pela chama.

Antes de pensar que tudo é espiritual, é necessário isolar as variáveis físicas presentes no ambiente. A vela nada mais é do que um pedaço de pavio envolvido geralmente em parafina para produção de luz (mais um tipo de energia). Na Umbanda a vela em si não faz bem ou mau, mas a intenção que colocamos na vela se agrega a esse corpo dando a ele a capacidade de executar o seu trabalho, sua missão, seu objetivo final. Ela pode borrar por cumprir sua missão ou por ter sido impedido de cumpri-la.

COMO AS VELAS SÃO TESTADAS ANTES DE SEREM VENDIDAS?
Antes de serem comercializadas os lotes de vela são testados quanto a qualidade da chama, parafina, pavio, etc. Por isso a escolha de uma boa vela é crucial para saber o que os borrões da sua vela querem dizer.

COMO UMA VELA QUEIMA?
Quando ascendemos o pavio, se forma uma partícula inicial de carbono. As partículas de carbono sofrem ignição e se incandescem (mantém e formam o resto da chama acessa). O calor produzido pela chama vaporiza a cera em moléculas de hidrogênio e de carbono. Esse é o movimento científico, o previsto para que aconteça, o previsto por quem inventou a vela, o previsto por físicos e químicos.

POR QUE HÁ VARIAÇÕES EM COMO A VELA QUEIMA?
Dado a eliminação das variáveis físicas presentes no local (vento, qualidade da vela, etc), se houver variações é alta a probabilidade de que a vela tenha sofrido interferências do plano espiritual, seja para o bem, seja para o mau.

O QUE AS VARIAÇÕES DE VELA QUEREM NOS DIZER?
1) Não sobrou nada:
Quando não se sobra nada da vela significa que TODA aquela energia foi usada, seja pelo propósito da vela ou seja por algum vampiro espiritual. A melhor forma de alafiar o que aconteceu é com seu guia de trabalho ou mentor de sua confiança.

2) Vela apaga toda hora:
Pode ser a má qualidade do pavio ou condições de vento. Caso não seja, pode ser algum egun, quiumba ou zombeteiro atrapalhando o trabalho, como pode ser o guia/mentor negando a vela. Um mentor pode negar sua vela se não for a cor do seu mistério (exemplo, vela preta para anjo de guarda), pode negar porque seu pedido não é do seu merecimento ou motivo semelhante. Neste caso é indicado conversar com ele e pedir orientação do que você deve fazer.

3) Vela queimou até a metade:
O trabalho pode vir em uma linha de trabalho aceita e durante o período de combustão sofrer influências do plano físico (vento) ou espiritual (atrapalharam o trabalho da vela). O que fazer com essa vela (acender de novo? Jogar fora? despachar? colocar no ponto?) depende da orientação e doutrina da sua casa.

4) Vela borrou toda:
Uma vela borrada pode ter vários significados, pode traduzir que você e o guia estavam precisando daquela energia e ali já quebrou toda demanda. Pode significar que a qualidade da parafina é ruim. Pode significar que durante o seu pedido tentaram atrapalhar o trabalho, etc.

5) Vela fez 2 chamas:
A vela que se divide em duas chamas geralmente está trazendo a força de um outro companheiro espiritual.

6) Desenhos nas velas borradas: É comum nas velas borradas a aparição de desenhos, bem como rostos, corações, cachoeiras, paisagens, nuvens, etc. Eles podem ser mensagens do plano espiritual mostrando cuidado, alafiando perguntas, esclarecendo dúvidas, avisando preságios, etc.

7) Vela que tombou: As vezes pela falta de firmeza no solo, a vela pode tombar sozinha. Agora quando bem firmada e ela tomba é nítido que tem alguém ou alguma coisa tentando atrapalhar o trabalho.

8 ) Vela começou a estralar ou sair faísca:
Muito comum nas velas de xango e de esquerda. Isso significa que a magia do fogo está ali, que o Orxiá ou guia está trabalhando a todo vapor para seu pedido a ponto de aquecer o processo de combustão tão forte que gera outros eventos físicos, como sons e estralos.

9) A chama ficou pequenininha:
Comum em velas de sete dias com pavio de má qualidade. Salvo essa variável, o autor da vela pode estar sendo alvo de magia negra e demanda a ponto dos quiumbas presentes absorverem parte da luz antes mesmo dela chegar a seu destino.

10) A chama ficou gigante:
Orixá ou guia respondendo perfeitamente elevando a energia e agilizando o processo de transformar parafina em ar ou em borrão. O guia recebeu o trabalho e está agilizando o processo a ponto de uma vela que dura 1 a 4 horas queimar em minutos.

11) Na chama da vela aparece uma espécie de vulcão ou lava:
Comum em velas de ciganos, velas douradas e prateadas. Estes elementos aceleram o processo de combustão de forma que a vela fique bem recebida pelo guia ou Orixá.

12) Vela borrou e quebrou o prato:
Alta probabilidade de estar cortando demandas contra você. Antes o prato do que você. Pode ter certeza que todo um trabalho feito (seja corte ou dentro de cemitério) quando isso acontece é alta a probabilidade dos seus guias estarem tomando as suas dores e atuam para quebrar o que foi mandado. "O que vem sem ser pedido, volta sem ser mandado".

A DIREÇÃO DAS CHAMAS ME DIZEM ALGUMA COISA?

Sim! Rubens Sarasceni no livro "Magia divina das velas" fala sobre cada direção da chama da vela. Elas podem ser comuns em alguns tronos (Lei, Ordem, Justiça, etc) e podem ter significado.

A) Chama em formato Cruz:
O formato em cruz é muito comum em entidades das almas, linha das almas, falange das almas, trabalhos de Oxalá, etc.

No livro do Rubens podemos explorar todos os tipos de chama: espiral, ciclone, reta, cruz, dupla, etc.

CONCLUSÃO

Não há receitas mágicas ou traduções prontas porque o plano espiritual é mutável. O que serve para um não serve para o outro. Cada casa tem a sua doutrina e cada guia o seu mistério. A melhor forma de interpretar o que aconteceu com uma vela é com seu guia espiritual, com seus pais de santo ou com guias de sua confiança. Umbanda é fundamento e é preciso estudar!



#ACALUZ

segunda-feira, 3 de junho de 2019

COMO KIUMBAS, EGUNS E DEMANDAS AGEM EM NOSSAS VIDAS?


A Umbanda e as religiões espíritas acreditam que o plano espiritual tem influência sobre o plano físico e vice versa. Neste cenário existe a presença da carga (Demanda), dos Kiumbas e dos Eguns.

Kiumbas são espíritos maldosos e mau intencionados que atingiram certo grau evolutivo, porém, preferem usar sua força e conhecimento para o mau. São os mercenários do plano espiritual. Se vendem pela maldade ou por pagamentos. Kiumbas podem até chegar a ser "Exu pagões", exus sem doutrina que fazem a própria lei. 

Já os eguns são espíritos sofredores que vagam em busca da sua luz, podem causar algum estrago ou esgotamento. Por fim, a demanda pode acontecer através de Egun, Kiumba ou trabalho demandado. É importante ressaltar que o Egun de Umbanda não tem nada haver com Egun Egun de Candomblé cuja relação é diretamente ligada com antepassados. Cada casa tem a sua doutrina, é importante entende-la pois ela não está acima de textos de internet. 

COMO KIUMBAS, EGUNS E DEMANDAS AGEM EM NOSSAS VIDAS?

Essa atuação negativa do plano espiritual pode agir da seguinte forma:

- Acompanha o vivo sugando e drenando sua energia física, psicológica, mental e espiritual;
- Tranca caminhos de emprego e recursos fazendo aumentar as dívidas;
- Interfere na rotina tirando ou trazendo carga excessiva de sono, fome, problemas de saúde, etc.
- Afeta animais e plantas ao redor da pessoa;
- Atrai risco de vida;
- Diminui o tempo de vida útil de bens como (carro, casa, vestuário, etc);
- Faz com que a pessoa tenha pesadelos e veja vultos;
- Coisas quebram com facilidade;
- Coisas começam a não dar certo;
- Falta de ar e aperto no coração;
- Paramos no tempo (não conseguimos estudar, manter-se em bons empregos, etc) o mundo avança e a gente continua parado no tempo;
- Quem está solteiro fica com várias pessoas e se sente vazio/incompleto;
- Quem está casado ou namorando briga sem motivos;
- A Raiva, ingratidão e outros sentimentos negativos tomam conta da gente;
- Pessoa pode ganhar ou perder peso com velocidade acelerada;
- Aumentam as olheiras;
- Pode acontecer queda de cabelo e mau hálito constante;
- Problemas no estômago ou outros problemas de saúde sem causa médica aparente;
- Atraí risco de acidentes e assaltos;
- Aumenta a irritabilidade;
- Aumenta o estresse;
- Nossas velas de defesa começam a ficar borradas ou ter dificuldade para acender.
- Temos a sensação de estar sendo observados;
- Ouvimos vozes;
- Há perda de memória;
- Desperdiçamos energia vital com assuntos desnecessários;
- Traz dores acumuladas em pontos específicos como pescoço, cabeça, costas, etc.
- Traz sentimentos negativos como vontade de chorar, etc.
- Atraímos problemas para o emprego, inclusive podendo perdê-lo.
- Acentua-se o gosto por álcool e drogas.
- Quem tem animais de estimação ou plantas podem perdê-los.

Em demandas mais específicas, dependerá dos elementos que foram utilizados, como foi utilizado, quem foi que atuou (Egun, Kiumba, Zombeteiro, Exu Pagão, etc).

Como enfrentar demandas?

Procure sempre o terreiro de sua confiança e onde você se sinta bem. Em todo tempo de trevas, a luz e o merecimento das nossas atitudes sempre nortearam as vitórias.

Nada melhor do que enfrentar nossos medos e problemas, agir com fé, força e determinação.

#ACALUZ 

sábado, 25 de maio de 2019

PEDALANDO PARA A ESPIRITUALIDADE


Me chamo Diogo Luiz, e faço parte de uma equipe de pedal (pedalar de bicicleta por mera aventura, esporte e lazer), moro em Belém do Pará, e sempre temos atividades noturnas, e as vezes diurnas.

Um belo dia, sai para pedalar com dois amigos, Júnior e Patrick, decidimos pedalar no parque do UTINGA, lá chegando, por volta das 16h00, saímos da trilha principal e decidimos aventurar.
Segundo um de meus amigos, a trilha iria dar na beira de um rio ou igarapé, nem ele sabia explicar ao certo. E eu, claro! Super ansioso para nadar, já que fazia muito calor e as pedaladas tinham de ser recompensadas de alguma maneira.

Mas algo de muito estranho aconteceu no caminho. Sentimento de vigília, como se alguém estivesse nos vigiando, depois de muito susto no caminho, algo correu entre a estrada de uma mata para outra, gritos constantes. Por ser um parque ecológico, achei que podiam ser turistas passeando ou fazendo trilha. Mas, aí que a coisa fica pior, paramos para observar o que tinha entrado na mata, e somente eu vi o vulto ligeiro sumindo no meio do mato. Pensei em voltar, mas eles disseram que era coisa da minha cabeça, e decidimos que não era nada de mais. 

Continuamos, porém, fomos caminhando, empurrando as bicicletas, pois, já estávamos próximos do rio/Igarapé. Quando de repente surge um homem vestindo vermelho e preto bem atrás de nós a mais ou menos uns 20m, e ficou parado nos olhando, e entrou na mata...  E mais uma vez, somente eu que via e mostrava aos outros, e eles ficavam rindo de mim.

Mesmo com muita preocupação continuamos, e quando chegamos na beira do tal rio, veio a recompensa. Não pensei duas vezes, nem tirei a roupa, pulei de roupa e tudo.

Mas, algo de errado não estava certo naquele passeio.

Começou a cair a noite, e na floresta escurece muito rápido, então decidimos pedalar o mais rápido possível. No caminho de retorno as mesmas situações, gritos, assobios, pessoas chamando para pararmos... 

Quando chegamos de volta ao parque do Utinga (no asfalto), pude ver aquele homem, na beira da estrada, que antes tinha visto, trajando preto e vermelho. Fazendo sinal com a mão para mim, como se me conhecesse, como se quisesse me alcançar e falar algo. Ao chegar em casa, dores de cabeça, tonturas, enjoos, sustos constantes, como se tivesse alguém atrás de mim o tempo todo, perda de sono. Liguei para meu amigo Adriano Figueiredo da ACALUZ, que tem um terreiro, contei os fatos aqui narrados. E prontamente me disse que iria ter Ritual de Tambor na sede da ACALUZ, localizada em Belém, no distrito de Icoaraci. E que eu podia participar. 

Não pensei duas vezes, ele disse para eu levar roupas claras, se possível na cor branca, para eu tomar banho de descargas e falar com as entidades que estivessem presentes no ritual.

E para minha surpresa e de todos. Após o banho, e o passe que me foi dado, eu simplesmente apaguei. E segundo os participantes do ritual, disseram que cai no chão, por volta das 17h30 e só retornei a consciência as 21h30.

E que segundo eles, um belo encantado se manifestou, conversou, brincou, sorriu, e disse que minha hora havia chegado, que eu tinha uma missão a cumprir e tinha de aceitar. Não me lembro de muita coisa, ou me lembro de nada, apenas sei o que me foi relatado, e aquilo que foi permitido pelo Caboclo dirigente da ACALUZ que estava ali presente.

Nunca imaginei em toda minha vida que eu era médium, que eu tinha caboclo ou entidades, nem sei ainda como falar, foi uma sensação que nem sei explicar. Meu corpo estava em choque, como se estivesse com o dedo na tomada e milhares de volts  circulando em meu corpo.

O homem que vi sorrindo na mata era meu guardião, e veio na ACALUZ, dar às boas vindas a todos, e hoje faço parte da corrente de filho e associado da ACALUZ e sou muito grato pelo aprendizado e os cuidados a mim direcionados.

Já passei por rituais de iniciação, AMACI, tenho meu anjo firmado, minhas contas e rosários. Sou feliz, estou feliz. E precisou uma aventura na floresta para descobri minha mediunidade. Para descobri que tenho uma missão a cumprir nesta terra, e que não nasci em vão. Que preciso ajudar o próximo espiritualmente a caminhar neste vale chamado terra. Se você é médium, siga sua missão, descubra seu proposito e siga em frente. Posso dizer a todos, que naquele dia eu estava Pedalando para a Espiritualidade. E Aqui cheguei, e vou ficar.

Axé e luz a todos.

Narrado pelo Personagem Diogo Luis filho de santo do Terreiro da ACALUZ.
REVISÃO: Diogo Miranda - Colaborador da ACALUZ 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Umbanda Sagrada

A Umbanda é uma religião que como qualquer outra, possui rituais e elementos que constroem sua liturgia e demonstram sua cultura religiosa. Para os que vão pela primeira vez, em um centro ou terreiro umbandista, esses ritos e fundamentos podem parecer estranhos, mais se verificarmos e entendermos um pouco seus significados percebemos fazerem parte do contexto religioso no qual os umbandistas estão inseridos.

Em tópicos de postagens anteriores dissemos que na Umbanda não existe um código doutrinário ou livro sagrado que regulamente as ações uniformemente, ou seja, não tem nenhum modelo fixo a ser seguido ou poder central que regulamente essas questões determinando quais rituais ou elementos devem ser usados nos trabalhos espirituais. Essas orientações na maioria das vezes são oriundas dos próprios Guias Espirituais que fazem o trabalho de Dirigentes Espirituais ou Doutrinadores dos métodos empregados em cada grupamento mediúnico, portanto, cada centro, terreiro ou tenda de Umbanda pratica e utiliza os elementos conforme sua cultura, fazendo com que a Umbanda seja democrática e universalista.

As comparações que muitas vezes fazemos, entre os métodos utilizados entre os terreiros de Umbanda quando não são depreciativas servem-nos apenas como matéria de estudo da diversidade ritualística, pensamos que as diferenças e particularidades têm que ser respeitadas, quando não gostamos de algo, temos á total livre escolha de não compartilharmos, mas não temos o direito de julgarmos, compararmos ou difamarmos este ou aquele terreiro.

O uso de elementos para o auxílio na cura de doenças do corpo físico ou outros campos de atuação que os guias de Umbanda podem utilizar para auxiliarem seus consulentes, não substitui o tratamento realizado pelos médicos e medicamentos, apenas são uma forma auxiliar espiritualista de tratamento. Abordaremos os rituais e elementos utilizados dentro da gira de Umbanda, segundo nossos aprendizados e vivências das perspectivas práticas, com intuito de esclarecer seus conceitos e fundamentos de forma simples e objetiva.

A questão Rito-Litúrgica:
Trataremos das questões rotineiras e práticas das giras de Umbanda, os Rituais máximos como Batizados, Amaci, Iniciações para aspirantados, Casamentos e ritos fúnebres, reservaremos para futura postagem.

Orações:
Através das preces e orações que fazemos ao iniciarmos os trabalhos, conduzimos mesmo que imperceptivelmente os nossos pensamentos para Deus, ou para coisas boas, esse componente é importantíssimo para a concentração da corrente mediúnica que realizarão os trabalhos, dão a sustentação energética necessária para o grupo. As orações e preces realizadas ao término dos trabalhos servem para que possamos pedir a proteção ao voltarmos á nossas casas e agradecermos a presença dos espíritos amigos que se fizeram presentes.

Defumação:
Serve para limpeza ou purificação dos nossos corpos físicos e espirituais, realizado através da queima de ervas e essências em carvão em brasa, no instrumento chamado Turíbulo ou Defumador. A defumação também contribui para limpeza energética da casa fortalecendo as boas energias e fluidos, geralmente é realizada antes do início dos trabalhos acompanhado de pontos cantados. 

Pontos Cantados:
Chamamos de pontos cantados, todas as músicas que falam dos Orixás e Guias Espirituais, são geralmente cantados e tocados por atabaques e por médiuns que camboneiam durante os atendimentos, sua principal função assim como as orações é a sustentação energética do ambiente durante os trabalhos além de facilitar a conexão entre médiuns e espíritos, harmonizando os fenômenos de incorporação. A música é utilizada em todas as religiões, pois remetem a alegria e a energia que transmitimos de nossa fé.

Pontos Riscados:
Os pontos riscados são feitos pelas entidades, que “riscam” com pembas símbolos cabalísticos onde representam sua linha de atuação, é a representação gráfica de uma hierarquia de trabalho. Podem ser riscados também pontos de forças energéticos que os utilizam como um radar de energias para limpeza e renovação das forças do ambiente e pessoas. Utilizam também em oferendas, assentamentos e firmações. As interpretações, assim como as utilizações variam bastante de terreiro em terreiro, fato que deve ser respeitado, mas acreditamos que esse recurso pode ser um canalizador de energia utilizado como método de trabalho de nossos amigos espíritos, não somente como recurso visual e gráfico. 

São os mais recomendados pelos Guias Espirituais para todas as pessoas, pois as essências de ervas frescas, minerais ou outros elementos exercem uma função terapêutica em nossos espíritos nos limpando de cascas e larvais astrais e sutilizando nossas vibrações com a natureza e os Orixás. Como todo tratamento é realizado conforme nosso merecimento não esperemos milagres dos banhos, lembremos sempre que eles são agentes que contribuem para nossa melhoria sobretudo de limpeza espiritual e devem ser feitos sempre que receitados e tomados periodicamente.

A oferenda é um fundamento de rito bastante utilizado. As oferendas tem a função de ligação espiritual ou energética, de nós humanos encarnados com os Guias e Orixás, é o ato de oferecermos flores, frutas, bebidas, fumos, alguns tipos de alimentos preparados, velas entre tantos que são elementos de origem mineral, vegetal e animal, em agradecimentos, pedidos, quebras de demandas, aberturas de caminhos, rituais de firmezas e assentamentos. Esses elementos são absorvidos e decantados pelas entidades estreitando os laços existentes. É importante que saibamos que o conceito que o Orixá ou Guia Espiritual, “come e bebe” sua oferenda é preconceituoso e ultrapassado, pois entendemos que eles possuem métodos de manipulação das energias que emanam dos elementos e com essas energias realizam as curas e tratamentos espirituais no qual estamos autorizados á receber, dentro das leis de justiça, ação e reação para nosso auxilio.

Cruzamentos e/ou Benzimentos de elementos:
O ato de “Cruzar” elementos é o momento em que estamos diante dos Guias Espirituais ou Orixás e confiamos á eles objetos de utilização pessoal, que podem ser camisas, guias, colares, pulseiras, colônias e essências para serem consagrados e receberem seu axé (energia) de proteção ou cura. A expressão “Cruzar” é utilizada nos terreiros com bastante frequência e vem de CRUZ, que simboliza o Cristo. Um bom exemplo do que é “Cruzar”, é o sinal da cruz que fazemos em nós mesmos ao passarmos em frente uma Igreja, por exemplo, estamos reconhecendo uma das casas de Deus nesse momento, mesmo não sendo católicos além de ser um cruzamento é um costume cultural.

Fluidificação de água:
Acontece em várias das vertentes de Umbanda, Mentores e guias incorporados em seus médiuns. A água é magnetizada alterando sua constituição e somando os sentidos de cura e tratamento. A prática é muito conhecida nos centros espíritas, sendo objeto de estudos que já comprovaram cientificamente que a água magnetizada ou benzida em centros e terreiros tem suas propriedades alteradas ou melhoradas com fim terapêutico.

Elementos de Trabalho

No livro “Umbanda Pé no Chão” de Norberto Peixoto ditado pelo espírito de Ramatís, a definição utilizada para Congá ou Altar é de Atratator, Condensador, Escoador, Expansor, Transformador e Alimentador, entendemos que esta definição resume que os altares são os pontos de forças físicos dentro dos terreiros feitos para os Guias e Orixás, onde suas funções vão além de enfeitar, são a segurança e alicerce vibratório para que as energias do ambiente sejam absorvidas depois transformadas e escoadas para outras dimensões. Sua constituição é feita de imagens de Santos, Orixás, Guias, velas, pedras, cristais e outros apetrechos e objetos dependendo da casa.

Imagens:
As imagens que compõem os Congás são cruzadas e imantadas, ou seja, receberam o devido preparo de ser o ponto de força energético dos Guias e Orixás, que na linguagem popular conhecemos como o firmamento. Essas imagens são em sua maioria de gesso, porém podemos ver algumas em resina ou madeira.

Podemos realizar através delas o ato de iluminarmos, é ponto para que as pessoas firmem seus pensamentos e possam fazer orações. As velas possuem os elementos fogo, ar e terra que são princípios de nossa natureza e onde os Orixás se fazem presentes. O uso de velas não é particularidade da Umbanda, pois sua utilização acompanha a história dos Homens e das Religiões.

As guias e colares são feitas de contas de cristal, miçangas, pedras ou outros elementos conforme orientação do Guia e tem a função ritualística de representar a energia e força (axé) dos Orixás, fazendo a segurança energética dos Chakras dos Médiuns. Podem ser recomendadas para uso fora do ambiente religioso, porém sua utilização implica em muito respeito e zelo por parte de quem usa.

A roupa para o trabalho mediúnico de Umbanda são camisas e calças brancas, outras cores em tonalidades claras também são comuns. Para a assistência não há nenhuma imposição para uso desta ou daquela roupa, deve-se respeitar o livre arbítrio e as possibilidades materiais das pessoas, porém o uso de roupas brancas ou em tons coloridos claros é recomendado para todos. A orientação para que os médiuns umbandistas utilizassem roupas brancas é oriunda do “Caboclo das Sete Encruzilhadas”, desde 1.908, mais essa orientação não é espontânea e aleatória possui fundamentos, que vão ao encontro com a história da humanidade entre filosofias religiosas, políticas e científicas que correlacionam à cor branca com o sagrado ou a pureza dos seres. Provado inclusive no campo científico por “Isaac Newton” que a cor branca que reflete do Sol contém elementos de outras cores que formam o arco íris, se fizermos um comparativo com os Orixás teremos Oxalá com o simbolismo de cor branca, que irradia todas as outras cores que seriam os outros Orixás.

Charutos, Cachimbos, Cigarros e fumos em geral:
São elementos de base vegetal que quando são queimados e exalados pelas entidades, serve de apoio para seus trabalhos, à combustão dos vegetais que eles contêm fazem uma espécie de defumação com elementos etéreos, ou seja, como elementos energéticos e magnetizadores ajudando na limpeza e reordenação dos Chakras dos consulentes. O uso desses elementos é alvo de muito preconceito e má interpretação, temos que ter o discernimento para entendermos seu fundamento e para verificarmos se o Guia utiliza para fins terapêuticos ou se ele usa o tempo que esta em incorporado apenas para fumar, esquecendo-se de seu trabalho e responsabilidade.

Bebidas:
As bebidas obedecem à mesma condição dos cigarros e charutos, são agentes condensadores, que auxiliam os Guias á realizarem limpeza de corpos e espíritos e desintegram trabalhos de magias e feitiçarias de finalidade geralmente maldosa. Seu uso também deve receber atenção e promover estudos em sua volta, para que a Umbanda e seus falangeiros não sejam confundidos com pessoas de religião que são viciados em álcool.

Referências:
Umbanda Pé no Chão.
Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada.
Material de apoio do curso livre de Teologia de Umbanda - Umbanda EAD.


#ACALUZ

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Cabocla Herondina


1. Fundamentos e (His) Estórias

HERONDINA...???
ERONDINA...???
HERUNDINA...???

Princesa, mãe das matas e dos animais, cabocla ajuremada (aprendeu costumes indígenas) cujo destino que sempre esteve traçado, se divinizar como princesa para num reino espiritual ir morar, no qual a história conservou e sua lenda, todos agora podem abraçar e se debruçar em uma pesquisa vasta, feita com atenção e carinho pelos pesquisadores da ACALUZ – Associação Cultural Axé e Luz.

Faremos várias passagens em trechos que remetem sua “vida” no Tambor de Mina, na Jurema Sagrada, na Umbanda, nos próprios contos da Mina no Maranhão. Mostrando hábitos, costumes, oferendas, narrativas que nos fazem pensar e refletir sobre as entidades que recebemos.

Princesa, maravilhosa, linda, bela, magnífica, digna de adoração, se encantou como princesa como mágica do destino, como o sopro de Deus guiado pela mão da verdade, é princesa encantada, é maravilha da natureza, é divindade, princesa turca que Deus escolheu para encantar, aquela que o destino selecionou para com ele dançar e cuidar de seus filhos, escolhidos pela espiritualidade.

Ao dançar, faz tremer toda a mata, abraça e leva com ela todas as nossas cargas negativas sem jamais devolver. Que as divindades sejam invocadas, que os tambores comecem a soar, que os guias, orixás, caboclos, divindades, encantados e Voduns façam a roda para nela nós dois dançarmos e aí mesmo nos unificarmos. Se eu vou, você também vem, e se você vem, eu também vou, o sinal é você quem dá, pois o dia certo chegará. Herondina princesa encantada, assim como o teu destino eu também te convido para dançar. Venha se debruçar nesta leitura que nos fascina com seu encante.

RESUMO DE MUITOS FATOS ENCONTRADOS:
Herondina é uma divindade cultuada no tambor de mina, em terreiro de umbanda, ela é uma princesa turca que se ajuremou (passou a se vestir e seguir hábitos indígenas) aqui na Amazônia brasileira, quando veio com seu pai e suas duas irmãs, Mariana e Jarina, onde cada uma seguiu seu próprio destino.

QUEM É HERONDINA?
A vida de dona Herondina foi e será sempre encoberta de nuvens e relatos conflitantes. Para mim esta história continua a ser contada e vivida a cada momento nos terreiros, quando a força desta entidade se manifesta através dos inúmeros filhos seus.

HERONDINA SEGUNDO A VISÃO DA UMBANDA
A magnífica guerreira amazonas cabocla Herondina, antes de Herondina sua última encarnação na terra foi na Roma Cristã no início ainda, era filha adotiva e irmã também adotiva das outras duas, líder de ponta dos povos de Caruê na encantaria amazônica [esse povo é pertencente à linha dos felinos, o que quer dizer, obviamente que tem como animal de força, os felinos, muitas vezes se manifesta ou se transformam nesses animais no “astral”, como já foi descrito por muitos videntes], atua sob o comando de mãe Oiá [Iansã], orixá feminino que atua na linha da justiça junto com Xangô e na linha de lei junto com Ogum. Mãe Herondina é muito reconhecida pelos seus trabalhos quebrando demandas, desfazendo baixas magias, desativando “bombinhas” e até mesmo curando seus pacientes ou filhos de cabeças de larvas astrais, oriundas muitas vezes de trabalhos magísticos, perniciosos frutos em geral do desespero, da mágoa, dos recalques, sentimentos mal resolvidos, enfim, da pequenez humana. Além do arquétipo da guerreira é bem menos “faladeira” que as outras irmãs; austera apesar de acolhedora e muito protetora, em especial, com seus filhos de cabeça. Cabocla Herondina lembra muito a carta nº XI do tarot, a força, a qual é representada por uma mulher subjugando elegantemente um leão, assim como geralmente se “manifesta”, acompanhada sempre de sua onça preta ou pintada. Ou seja, simbolizando determinação e autocontrole, o controle dos instintos e o equilíbrio interno; ela pode ser relacionada, ainda, com as cartas nº IX, o Eremita, o solitário caminho sabedoria e a carta nº I, o mago, o iniciado, lembrando assim exu, que é a linha esquerda da Umbanda.

Não obstante dessas três caboclas, a cabocla Herondina é a única que atua como exu nos dias de trabalho dessa linha, guardando, protegendo, abrindo os caminhos e executando a lei, assim como todos os bons guardiões, exus e pombas-giras. Em sua linha virada, Herondina em Ganga canta bravamente:

A HISTÓRIA DE HERONDINA NA ROMA CRISTÃ, CONTADA PELA PRÓPRIA ENTIDADE:
Em tempos da Roma antiga, no período Cristão, Herondina, teve sua penúltima encarnação. Era Romana, de temperamento muito intempestivo, mas dona de um imenso coração. Não gostava de injustiças e sempre defendia os escravos, da fúria dos Senhores, atacando-os ferozmente, era exímia guerreira, lutava melhor que muitos homens, desafiando-os abertamente, por conta disso vivia se metendo em encrencas, que só lhe eram aliviadas, por causa do Pai, um Senador Romano de muito poder em Roma. De família riquíssima e tradicional, mesmo Real, Herondina, que naqueles dias se chamava de outra forma, queria entrar para os exércitos de Roma, acariciava esse desejo desde menina. O Pai, embora orgulhoso e altivo, como cabia a um Senador Romano, sempre lhe fazendo a vontade, dessa vez negou-lhe o "capricho", e cansado dessa inquietação da filha e de suas feituras "transloucadas" pela Roma Antiga, resolveu por bem ou mal obrigá-la a casar. Esse fato provocou uma imensa revolução, a Romana se rebelou, esperneou, de tudo fez, e mil histórias criou, mas não conseguiu nem que seu Pai voltasse atrás ou mesmo o noivo, a quem ameaçou matar sem clemência na Lua de mel. Um dia, ouvindo escondida uma conversa do Pai, com o tal noivo, descobriu que o Pai e o Noivo, tinham o mais profundo desprezo pelos chamados "Cristãos". Ouvindo isso, a moça Romana, deleitou-se com a ideia de se tornar por sua vez uma tal de Cristã também, assim o noivo desistiria do casamento, nem sabia como era, mas resolveu se tornar uma Cristã seja qual fosse o significado disso. Depois de procurar em segredo, através de uma escrava de confiança, descobriu aonde se reuniam os Cristãos. Nas Catacumbas, era principalmente o lugar em que os Cristãos faziam suas reuniões. Continuou frequentando as reuniões, e de certa forma concordava com o que se pregava ali, mas estava muito mais interessada em se desvencilhar do "maldito" que é como definia o noivo. Certa feita, em uma dessas reuniões, a legião Romana passou e prendeu a todos os presentes. Fez-se então uma brutal jornada entre as catacumbas e as prisões, a Romana então esperneou, espraguejou, anunciando-se como filha de um Senador Romano, em suas vestes pobres e disfarçadas, tudo que conseguiu foi o deboche dos insensíveis e cruéis guardas. Aprisionada juntamente com os outros e ferida, pois era atrevida e enfrentava os guardas, esperou juntamente com uma pequena multidão, entra mulheres, idosos e crianças, o inevitável, no dia seguinte seriam devorados pelos famintos Leões, feras que eram criadas somente para esses espetáculos terríficos e perversos. E assim, sob um sol de verão na Roma Antiga, juntamente com os Cristãos primitivos, a Romana, fora jogada às feras, sem que sua família atinasse pela sua falta, pois vivia sempre sumindo em suas incursões pela Cidade de Roma. Olhando aquele espetáculo terrível, daquelas pessoas que aprendera a estimar de longe, em sua farsa de falsa Cristã, sentiu imensa dor pelos que estavam ali, viu o significado do que era Roma, um monstro devorador e cruel. Depois de algum tempo vendo tudo aquilo sem poder fazer nada, ainda com dor dos ferimentos, por ter apanhado, percebeu o olhar de uma das feras sobre si. Sua alma gelou, era agora a sua hora, então pensou rapidamente em Jesus, nas lições que ouvia nas Catacumbas, ajoelhou-se olhando aos céus e disse -" Se és o Cristo Jesus, então ensina-me a domar as feras", fato é que o Leão então aproximou-se e a Romana, olhou em seus olhos, eis que a fera ajoelhou-se em mansuetude, submissa a seus pés, ela não era mais a mesma, havia sido ungida por Jesus, tudo estava claro agora. Olhando em volta os outros serem devorados, sentiu-se injusta e corajosamente ordenou que o Leão a devorasse. No que foi feito sem, que não antes, ela mostra-se ao Pai, que impassível assistia a tudo esse espetáculo monstruoso, ela queria despertar-lhe a alma para a bondade e o amor Divino.

Um Reino, primeiramente vamos entender que o Mistério Herondina, Não é simplesmente uma só Cabocla, pois se trata de uma falange ENORME. Dentro dessas falanges temos uma hierarquia, assim os Graus, pois tudo no mundo Espiritual é Hierarquia vão se distribuindo. Uma Herondina mais e mais é Grande Mestra, é de um arquétipo Guerreira, são como Amazonas, sua encantaria pertence ao REINO DOS KARUÊ, esse Reino é da evolução dos Felinos conforme já visto anteriormente. São aguerridas e muitas vezes o vidente enxergam um felino belíssimo, gigante, depois se transforma na Guerreira, noutras vezes vêm montada em um Leão, Tigre, Pantera, Onça...

Desencarnada, subiu aos Reinos, e "Ajuremou-se", adentrou as Escolas Iniciáticas, sem precisar mais passar pela carne, foi colocada por Jesus Oxalá, para servir nas Lides da Umbanda, onde fundou suas imensas falanges. É irmã "adotiva" das Encantadas Toya Jarina e Mariana.
CANTANDO PARA CABOCLA HERONDINA
Abaixo, pontos para a Cabocla Herondina, para uns, índia guerreira, para outras e em outros Estados, Cabocla Braba. No Pará simplesmente Cabocla Herondina, quebra demanda e feitiços pesados. Muito respeitada e admirada por todos quando chega.

I
Eh ganga, eh ganga eh gannnga,
A onça é negra seu cavalo é alazão(bis)

II
Onça, Tigre é seu cavalo
Surucucu é seu gibão
Cascavel sua peneira
Jibóia seu cinturão.

III
Ela passa a lagoa
lagoa do Jucá(bis)
Quem duvida venha ver
A cabocla Herondina Trabalhar

IV
No mar tem flores
Tem rosário de Nossa Senhora(bis)
Arueira meu São Benedito
Cabocla Herondina chegou nesta hora

V
Oh dina oh dina, Dina Oh(bis)
Baiou no couro, Dina oh
Baiou no vidro, Dina oh
Baiou na mata, Dina oh
Na Encruzilhada, Dina oh

VI
Deu uma ventania oh ganga
Nu alto da serra,
É ela a cabocla Herondina oh ganga...
Que vem vencer a guerra. (bis)

VII
Éh de cocoriô, é de cocoriá
Cabocla Herondina é de umbanda só
Umbanda só, umbanda só,
Cabocla Herondina é umbanda só

VIII
Com facas e punhal na mão
Seu corpo crivado de agulhas
É ela a Cabocla Herondina
Ninguém lhe toca, ninguém lhe bula

XI
Herondina é uma moça mal
Deu três gargalhadas no céu
Deu três, deu três,
Deus três gargalhadas no céu

XII
Ela veio de barra a fora
Ela cruza o mar
Ela cruza as matas
É ela cabocla herondina
Mas pelas matas ela é cabocla braba(2x)

XIII
Ela é cabocla
Rondeira de Roma
Ela vem de longe
Vem beirando o mar
É herondina
Trazendo facas e punhais (2x)

XIV
Para quem bolir
Com suas pedras
As pedras que o sol expirou(2x)
Aonde herondina trabalha
Debaixo da lua e do sol
Ela é herondina
Ela é malvada
Na encruzilhada ela dá gargalhada(2x)

XV
Ela é cabocla
Ela é tapuia
Ela vem das matas
Pra beber na cuia(2x)

XVI
Ela é filha da onça negra
Ela é neta de cabuçu
Quando vem correndo nas matas
Vem comendo carne crua(2x)

XVII
Ela vem da barra
Ela vem da barra
Ela vem da barra
Dos lençóis onde ela mora
Ela é uma cabocla
Ela é mandingueira
É Herondina a mais formosa feiticeira
Ninguém lhe toque
Ooh ninguém lhe bula
É Herondina e tá na ponta da agulha (2x)

XVIII
Aonde ela mora
Tem cravo e girassol
Pra quem não sabe
Seu nome é Herondina
Cravina roxa açucena de seu pai (2x)

XIX
Herondina vem de Roma
Herondina ela é romeira (2x)
Aqui chegou foi Ela
Herondina na trincheira (2x)

As Doutrinas podem ser encontradas também em nossa página abaixo:
http://www.acaluz.com/2010/01/cantando-para-cabocla-herondina.html 

sexta-feira, 3 de maio de 2019

COMPORTAMENTO NO TERREIRO


Olhar o médium não somente no desenvolvimento espiritual, mas em seu comportamento dentro do culto é um dever de cada zelador. Aplicando as normas da casa, observando as supostas falhas, corrigindo vícios que deflagam no futuro um médium cheio de manias e sem hierarquia alguma.

Tem médium que entra na corrente já se sacudindo todo, se der chance incorpora antes da Entidade dirigente dos Trabalhos, e não pode ouvir um ponto que é da "sua" Entidade, que já está dizendo que não consegue segurar e precisa dar passagem. 

Mas, o médium sério entende que sua Entidade está no Terreiro e nem sempre precisa estar incorporada para trabalhar, e portanto, havendo necessidade, pede licença para ajudar no que a casa precisa. Respeitar a hierarquia, a doutrina da casa é fundamental e gera respeito para com todos os presentes...

Lembro das palavras da Cabocla Herondina: "CANTAR, BATER PALMA, FIRMAR A CABEÇA, TUDO ISSO É PARTE DO TRABALHO!" Não adianta nada estar ali, cheio de capa, guias, com copo na mão, charuto na boca, mas quando chega a hora de cantar, não conhece um único ponto, ou simplesmente não canta.

PONTO DE UMBANDA É ORAÇÃO NÃO SE ESQUEÇAM DISSO.

Outra coisa, médium bom é aquele que respeita sua casa e sabe valorizar o chão onde pisa, e isso no sentido literal, ou seja, se precisar limpar o chão, lavar parede, tirar o lixo, atender a assistência, fazer comida de Santo, ajudar nas entregas, o que for, está ali, aprendendo com humildade. Médium que pensa que "trabalhar" na Umbanda é só estar incorporado, e ainda acha que está fazendo muito, esse não está nem no primeiro degrau dessa longa e vagarosa escada chamada evolução.

Portanto, caros irmãos que iniciam agora sua caminhada ou até mesmo os mais antigos, aprendam isso: a corrente é a firmeza da Casa. 

Se você perceber que precisa estar ali cantando e ajudando, não se encabule de conversar com sua Entidade. Se for mesmo necessário incorporar naquele momento, você saberá.

Eles nos ouvem, não existe essa coisa de "meu Guia tem que trabalhar" - mas quando decide faltar no Terreiro por conta de festa, viagem, etc, aí o Guia não precisa trabalhar? NENHUMA ENTIDADE DE UMBANDA É DÉSPOTA, nem vai transformar seu aparelho em escravo. Temos que tomar cuidado com nossa própria presunção em achar que se não incorporarmos, não trabalhamos.

Os Guias são nossos amigos, e como tal nos entendem através da conversa, da comunicação.

Portanto, ao chegar em seu Terreiro, bata a cabeça, cante, bata palmas, ajude no que você puder, e respeite os irmãos, respeite a hierarquia, respeite a doutrina da sua casa.

Todos juntos pela umbanda!
Mensagem dos bons espíritos!

terça-feira, 30 de abril de 2019

Família do Codó ou da Mata do Codó

A ACALUZ - Associação Cultural Axé e Luz, apresenta mais uma pesquisa rica em informações e referências, com o olhar de nosso Historiador Diego Bragança de Moura. Que visa estudar minuciosamente e explorar o universo da Família de Légua, também Conhecida como Família do Codó ou da Mata do Codó. É um estudo amplo e rico de informações. Esperamos poder estar contribuindo com cada um dos visitantes de nosso site. Que este estudo sirva para ampliar o conhecimento de todos. Deixe seu comentário na postagem. E faça parte de nosso grupo de estudos no WhatsApp e Facebook.

Histórico Familiar:
Chefe da Família: Dom Pedro Angaço (Vodun Cambinda - Associado a Xangô Aganjú.

Esposa: Rosa Rainha

Filho Principal e Chefe da Família do Codó: Légua Boji Boá Trindade.

Filhos Principais da Família: Floriano Flor de Roma, Princesa da Pedra Fina, Angaçomé, Angaço Uno, Coli Maneiro, Príncipe Oliberanto, Princesa Flora, Princesa Rosa, Vó Maria Camundá, Rei Cacamador.

Filhos de Légua: Jacyra da Trindade, Dorinha Légua, Raio do Sol – Filho do Zé Raimundo, Lauro Légua, José Vaqueiro, Rosalina Légua, Neguinho de Holanda.

Aparentados: Joana Gunça (princesa) - Irmã de Légua, Maresia (turco) - Sobrinho, Xica Baiana – Sobrinha, Zé Lepredo e Zomador.


🎶A família de Légua tá toda na eira🎶
🎶A família de Légua tá toda na eira🎶
🎶Bebendo cachaça e quebrando barreira🎶
🎶Bebendo cachaça e fazendo poeira🎶

1. Uma história longa a ser contada:

Possivelmente esses encantados vieram para São Luís e foram se agrupar em Codó, não sendo originários de lá. Muitos dizem em suas cantigas terem “vindo beirando o mar”, talvez esta seja uma referência à sua chegada ao Brasil, e não a Codó, cidade que não é banhada pelo mar. Acredita-se que sejam de origem cambinda, mas até mesmo a origem cambinda é passível de ser questionada, pois em nenhum momento, nem nos nomes, nem em suas cantigas, fazem referência a alguma língua banto. 

Entretanto, mesmo tendo o Codó como sua cidade, o local de origem, muitos não habitam o Codó, tendo ali só se encantado e ido morar em outros lugares, como até mesmo a Ilha de São Luís, o Pará e adjacências. 

Os codoenses são muito próximos aos voduns Djedje, tendo desses muitos usos como a presença do mastro central, chamado eira, a árvore da vida, o tambor vertical (rum) chamado por eles de tambor da mata, se opondo aos batás horizontais dos nagôs. 

A família de Codó é muito ligada ao Vodun Nanã, também chamada de Vó Missã, e por isso, tem em seus fios de contas miçangas de Nanã (mariscado de Nanã), além de miçangas marrons, lembrando as matas. Trata-se de uma família importante que foi levada para o Pará, segundo a lenda, por Seu Chico Légua.
Todos os filhos de Légua usam chapéu de couro ou de palhinha/panamá. Como todas as demais famílias da encantaria, os codoenses recebem oferendas (comidas, bebidas, “cortes de animais sagrados”) e festas juntos, mesmo que seus filhos estejam ausentes. Mais abaixo iremos tratar de forma mais detalhada sobre as oferendas.



Como vimos, "quase" toda essa família vem da "região do Codó", município situado no cerrado maranhense e na bacia do Rio Itapecuru. Todos eles e elas (Caboclos e Caboclas - Boiadeiros e Boiadeiras) foram lavradores ou vaqueiros que andaram pelas estradas desse Brasil, e que por algum motivo ou razão voltaram na forma de encantados para essa região. Ou são originários de outras famílias, como a dos Turcos, que se agregaram por diversos motivos como afinidade familiar, se apresentando na forma de espíritos de luz para ajudar e guiar os seus filhos da Umbanda/Mina nessa imensa batalha contra o mal e para ajudar ao próximo a progredir pessoalmente e espiritualmente. Os caboclos e as caboclas, em geral são negros(as), algo que se deve ao fato de quando estavam na forma carnal, eram negros descendentes de pessoas que estavam na condição de escravos, de origem africana e/ou nascidos no Brasil, que com a expansão das lavouras de café e cana de açúcar, o gado que antes ocupavam essas regiões mais litorâneas, foram expulsos para os sertões (interior) do país e, com isso, também foi surgindo e se consolidando as atividades desses homens e mulheres como vaqueiros, boiadeiros, campinadores, ou seja, responsáveis na lida diária em cuidar dos rebanhos e de explorar e ocupar os sertões nordestinos desse país. Por isso, por suas histórias são entidades muito fortes, vigorosas e respeitadas. Segundo Mundicarmo Ferrett, "são entidades menos civilizadas e menos nobres que viveram geralmente de lugares afastados das grandes cidades e pouco conhecidos que sempre costumam vir beirando o mar ou “igarapés.” Aqui, com base na citação de Mundicarmo, permitam me fazer uma pequena análise. Se formos levar em consideração a parte que diz que vinham "beirando o mar ou igarapés", podemos fazer a relação com a própria atividade pecuária/vaqueira de conduzir o gado buscando sempre fontes de água pelos sertões nordestinos áridos e secos, para darem de beber ao gado e os próprios boiadeiros/vaqueiros. Como relatam em suas doutrinas/pontos/cantigas sempre estavam a lidar com a boiada, levando de um lado para o outro.


Em Codó, onde se diz que o caboclo “Brada” mais alto, afirma-se que aquela categoria de encantado é de Vaqueiros/Boiadeiros, homens e mulheres que lidam com o Gado, costumam gritar como se estivessem dobrando gado no campo. Família comandada por Légua Buji Buá, que se intitula filho de Pedro Angaço e Rainha Rosa. A Santa Bárbara tem sido proclamada protetora dos terreiros de Mina do Maranhão. Ela valoriza estes caboclos boiadeiros.
Codó é uma localidade reconhecida por seus terreiros, por ser uma região quilombola ligado ao terecô, ao tambor da mata, relacionada mais com os caboclos e a prática da magia negra. Entre os encantados mais importantes está ele, Légua Bogi Buá. Falar desta entidade, de sua família e dos seus dois lados (“banda branca” e banda “preta” – bem/mal) como sempre é dito pelo caboclo Lauro Bogi Buá que fala a seguinte frase:
“Eu sou Lauro Bogi Buá, uma banda branca e outra preta, metade de Deus e metade do diabo”.
Há diversos mitos de como e quando Légua Bogi chegou a essa região, tanto quanto em relação a sua família e seu comportamento dentro dos terreiros.

Em algumas casas, Légua Bogi é jovem, brincalhão meio rude e desbocado, tem numerosos amigos, gosta muito de bebida alcoólica e da brincadeira de Bumba meu Boi. Em Codó, ouvimos falar dele como o encantado mais velho do mundo, como filho desobediente e como um preto velho angolano. Em Viana (Maranhão), Légua Bogi é visto pelos médiuns (que tem vidência) como um preto-velho que usa chapéu, parecido com o falecido artista nordestino Luiz Gonzaga. Algumas pessoas o vêem caminhando na cidade; outras, andando sobre as águas do mar, sem afundar. Mas, conforme alguns “mineiros”, Légua também aparece como um boi preto, com uma estrela brilhante na testa, que ameaça “parti pra cima” do médium que não cumprir suas obrigações para com ele. Légua Bogi é um dos encantados mais antigos de Codó, mas a família de Légua entrou ali quando já havia acabado a euforia do algodão, e ele veio como um dos “filhos do gado”, daí porque aparece com chapéu de couro e rebenque. Eles “aportaram” no início do século XX como uma família já constituída e foram trazidos por Maximiana e por migrantes do Mearim e Codó.

Quando o caboclo Légua Bogi está incorporado sempre se refere ao lugar de onde veio, Codó. A ligação com essa região é relacionada no momento do transe, onde a entidade faz uma ponte entre o Estado que se encontra no momento do transe, por exemplo: Pará(PA) e Codó (MA).


Quanto à origem da encantaria de Légua Bogi Buá, contam nossos ancestrais daqui da nossa casa, que fica mais precisamente nas proximidades das cidades de Pedreiras e Bacabal na baixada do Mearim numa localidade chamada TRINDADE, dai a denominação Légua Bogi da Trindade. Como ele tinha muitos filhos, foram se espalhando nas cidades vizinhas, como: Codó, Santa Inês, Bacabal e outras. Quando veio o encanto, veio para a origem da família que ficava em Trindade, onde atualmente peregrinos visitam pra acender velas na grande pedra onde eles se encantaram, que segundo os fies, eles tem recebido graças dos pedidos feitos naquele local, considerado um ponto energético muito forte, um lugar sagrado.


Os Africanos ao chegarem na capital da província em São Luiz, eram vendidos e enviados as fazendas do interior das zonas rurais do sertão maranhense. Quando chegavam, principalmente, em Caxias ou Codó, se organizaram em grupos grandes, que ficaram conhecidas, até mesmo por definição impostas pelos europeus e escravistas, como "Nações", que reunião negros na condição de escravos, não pelos locais de origem, mas sim, pelos locais/portos de embarques no continente africano para os navios negreiros. Reunidos em grupos/nações se adaptavam e, muitas vezes se união para preservar e compartilhar as suas crenças e, assim, cultuavam as várias ramificações das culturas religiosas, tais como: Mina, Jeje/Nagô e outras. E com estas mudanças em um processo de construção, reconstrução, adaptações e miscigenações culturais e ritualísticas, eles foram se aprofundando em misturas de várias culturas, perdendo assim, sua liturgia original, tanto em costume quanto em hierarquia. Criaram novos mitos que muitas vezes confundem-se as origens e histórias dos encantados e voduns cultuados em seus rituais.


Exemplo: Os primeiros voduns trazidos pelos africanos sofreram modificações severas (exógenas), podemos até chamar de metamorfose, tanto nos nomes e modos de agir, quanto em sua pureza original. Verificamos que voduns nobres da Família Daomeana como o ÀGÁSSÚ, passou a ser cultuado como Dom Pedro Angaço. Com a titularidade da família do Codó. O Vodun Poly Boji, da família de Dambirá (Sr. Acossi sakpatá), responsável pelas doenças, destaque para Varíola, passa a ser Légua Boji Boá da Trindade, perdendo sua postura nobre e ganhando o titulo de brigão, beberrão. Légua se manifesta, ora como Vodun, ora como Fidalgo, ou mesmo Caboclo Africano adotado por um Gentil - Dom Pedro Angaço ora como Preto Velho ou Vodun Cambinda da Mata de terecô. Vale ressaltar aqui, que essas visões, interpretações, representações e apresentações diferentes das originais advindas do continente africano, se devem a todo esse processo de mistura, miscigenação, aculturação, adaptação e até de resistência. Resistência, pois na tentativa de valorizarem suas práticas religiosas e, mesmo, escaparem de certas visões negativas acabaram incorporando, associando e assimilando práticas e saberes externos e alheios a própria origem africana e regional, ao ponto, de com o passar do tempo se configurarem como elementos próprios e inerentes as próprias práticas e vivências religiosas.

Existem duas Versões afirmativas para a Origem da Identidade Africana de seu Légua Boji: Ele é um Vodun Cambinda que Venera São Bartolomeu e Santo Expedito... e a outra é uma fusão de duas entidades daomeanas - BARA (Exú) ou Légbá e o Vodun Poli Boji, E este adora Santo Antônio. Aqui temos o elemento cristão de vertente católica associado e assimilado as práticas religiosas afro-brasileiras. A comparação a Légbá, nos remete ao que já foi citado nesse texto quando falamos sobre "banda Preta e Branca". Se vocês pararem para analisar entenderão que ele, Seu Leguá, é dotado de dois atributos, BOM e MAU. Mas não em uma visão maniqueista extrema e, sim, mais humana que analisa todos como providos de ambos os sentimentos, formas de ser e agir, sem que isso seja algo contrastante ou conflituosa.  


Existe um fundamento dentro do povo de Légua que é pouco comentado. Talvez por sua base de transmissão seguir a tradição africana da oralidade, ou seja, ser apenas de boca para ouvido entre membros do culto. E, não se tem registro oficial digitado ou publicado sobre tal assunto, que são OS PRÍNCIPES DA FAMÍLIA DE LÉGUA. Então se fala em SETE PRÍNCIPES, dos quais: JOAQUIM LÉGUA BOJI BUA. LÉGUA BOJI BUA DA TRINDADE. CICERO LÉGUA BOJI BUA. MANOEL LÉGUA BOJI BUA. DOUTOR LÉGUA BOJI BUA. PEDRO PAULO LÉGUA BOJI BUA. ANTONIO LÉGUA BOJI BUA. Esses SÃO OS 7 LÉGUA LE-BARÁ(LE de Légua e BARÁ de Exu). PRÍNCIPES DOS LÉGUAS BOJI. Sistematicamente conhecidos por serem Exus, por serem BARÁ - OS ENTÃO PRÍNCIPES DE ELEGUÁ. Está informação é importante para os assentamentos e fundamentos de Quarto fechado. Uma coisa é o Caboclo dizer que é boiadeiro na boca do tambor e, a outra coisa é o fundamento feito no quarto do segredo em cima do Médium manifestado com um dos guias citados acima. Se alguém aqui não sabe ou não ouviu falar na relação Légua e Exu, Vida e Morte, Branco e Preto. Precisam se aprofundar nas suas pesquisas e saber que o povo de Légua além da fama tem muito segredo escondido. Que, como citei, só vai de boca para ouvido dentro do quarto de fundamento.


Como eu disse e repito, se estudarmos a fundo, saberemos o que realmente os antigos queriam dizer quando retratavam os léguas como Exú, como já dito várias vezes, por ser um cara mau, brigão, de pouca conversa e muita porrada fizeram relação através disto, relacionando Eleguá, que é um Exú a Légua Boji. E quando eu digo vieram, na verdade quis dizer foram trazidos, Légua Boji é Africano e já era muito conhecido lá nas bandas do Caribe, bem antes de surgir nos terreiros maranhenses. Segundo o finado pai Euclides cita em seus estudos, que quando ele era ainda criancinha já ouvia falar por mãe Maximiana que Légua foi expulso da África por provocar discórdia, atravessou o atlântico e chegou em Trinidad, onde  permaneceu por um longo período, porém continuou do mesmo modo arrumando confusões e teve de sair de lá também, e veio parar no Brasil, mas precisamente no Maranhão, indo se fixar em Codó, onde entrou na família de Dom Pedro Angaço.


Posso concluir então, que dentro desta família se agrupam os verdadeiros agregados de boiadeiros da Mina Nagô, também chamados, mas pouco conhecidos aqui pelo Pará de NOBRES HUDAVISSE, possuindo grande influência cambinda, porém, com conhecimento, cultura e tradições dos Mineiros.
🎶Seu Légua quando chega🎶
🎶Vem fazendo Confusão🎶
🎶Arranca tamanca do boi, seu Légua🎶
🎶Lugar de peso é no chão🎶

Légua Boji – Também chamado de José Légua Boji Buá da Trindade, é o pai e Chefe da família de Codó (Algumas pessoas dizem Rei da Família de Codó); algumas vezes confundido por estudiosos com o vodum Elegué (de Cuba) e outras com o vodun Tóy Poli Boji. É muito alegre, brincalhão e apreciador de bebida na cabeça dos médiuns que ele passa, mas no Pará, sempre se apresentou como um homem sério, tradicional e ranzinza. Foi grande destaque na cabeça de Pai Prego (Astianax de Oxumarê), o primeiro paraense raspado no candomblé, por volta de 1930. Seu Légua Boji é por assim dizer o Rei de Codó e sua falange é da mata de Codó e Pindaré, povo de Caxias de Dom Pedro Angasso, Rosário, Coroatá, Vale do Mearim, Vale do Itapecuru e Vale do Pindaré. Teria sido Zé Bruno que fundou a Vila de Nazaré do Zé Bruno, que, incorporado com Seu Légua Boji Buá, batizou os codoenses com nomes brasileiros, pois segundo ele, os Caboclos do Codó tem nome Cambinda.

🎶Ele é Zé Raimundo,🎶
🎶Zé Raimundo Camarada (bis)🎶
🎶Ele é Zé Raimundo morador da beira D’água (bis)🎶
🎶Não lhe chame de Raimundo🎶
🎶Ele não é seu “pariceiro” (bis)🎶
🎶Ele caboclo do Codó🎶
🎶Ele é Malvado e Feiticeiro (bis)🎶

Zé Raimundo Boji Boá Sucena Trindade – encantado maduro, conhecido como Zé Raimundo, é filho de Dom Manoel com a Rainha Rosa, mas foi criado por Seu Légua Boji. É grande conselheiro, encantado extremamente equilibrado e que nunca exige nada quando está em terra. Usa calça arregaçada, chapéu de couro, de palhinha (panamá) e mesmo com as baixas temperaturas do inverno ele, bem como seus irmãos, dançam sem camisa, apenas com toalhas estampadas jogadas a tiracolo. Apresenta-se como sendo mais do mar do que da terra. Desce na linha de cura mas não perde a sua postura codoense. Dirige rituais e é considerado como o melhor para “pôr ordem na casa”. Gosta de músicas da terra. No Pará também é conhecido como Camaroeiro, Rezingueiro e Zé Raimundo do Bogari, local onde teria sua encantaria. Outros dizem ser ele filho do Rei da Turquia que foi dado a Pedro Angaço e Criado por Légua, daí surgiu a grande amizade entre estas famílias e a permissão da entrada dos nobres na família do Codó, sendo ele filho do Rei da Turquia nunca revelado nos fatos históricos narrados nos terreiros e ficando apenas nos fundamentos de Boca para Ouvido, seu nome turco seria Djakilititan Ramos de Alexandria, outros dizem que seu corpo estava preso na rede de pesca de seu légua e ao ser tocado pelo Rei da Família do Codó, despertou para a encantaria e foi adotado pelo mesmo. São várias história, uma coisa é certa. Quem tem este encantado tem um grande guia espiritual, foi a curiosidade maior nem é os meios de seu encante, mas sim, uma de suas linhas que ele vem como Mestre Curador em mesa branca na Doutrina Espirita. Então este encantado, com toda certeza, esconde muitos segredos e possui várias linhas para entrar no mundo dos vivos através dos portais dos encantados.

🎶A estrela que me alumeia🎶
🎶Alumeia no meio do mar🎶
🎶É o mestre camaroeiro🎶
🎶É caboclo nobre no meio do mar🎶

Joana Gunça – É uma encantada que surgiu com mais três irmãs, Ida Gunça, Cármen Gunça e Maria Gunça, todas consideradas irmãs de Légua Boji. Tem postura de Vodun que faz bons trabalhos na linha de cura. Passa em casas de umbanda, de mina, cura, pena e maracá, ou seja, nas diversas vertentes do culto aos encantados e caboclos, como codoense e irmã de Zé Raimundo.

🎶Ela estava em seu castelo🎶
🎶Pra que foram lhe chamar🎶
🎶É ela Joana Gunça, é ela flor do mar🎶
🎶Ela vem na Maresia, no grande rolo do mar🎶
🎶É ela Joana Gunça, é ela flor do mar🎶 


Maria de Légua – também chamada de Maria Légua, encantada madura, muito brincalhona e farrista, mas com bom senso de direção de uma casa. É muito querida por seu pai Légua. Algumas vezes é confundida com sua irmã, a princesa Dona Maria José, esta também chamada Florzinha.

🎶Não tô bêbada(bis)🎶
🎶Ainda hoje eu não bebi🎶
🎶Me chamo Maria Légua🎶
🎶Filha de Légua Boji🎶

Oscar de Légua – é um codoense maduro, é sério sem ser necessariamente antipático. Também chamado de Oscarzinho de Légua é filho de Rainha Dina e Légua Boji. Toma vinho mas também gosta de cerveja. É muito bonito e altivo, muitas vezes transformado num encantado galanteador e parecendo bem mais jovem, mas dentro da família todos sabem que ele já é de uma certa idade.

🎶Vou dizer o meu nome🎶
🎶Para saber me tratar🎶
🎶Me chamo Oscar de Légua🎶
🎶Filho de Légua Boá🎶

Teresa de Légua – também conhecida como Dona Teresinha, Teresa Légua ou somente Teresa, está entre as principais filhas de Seu Légua. Em geral alterna momentos de grande alegria com outros de grande senso de comando, impondo aí sua posição dentro da família. É uma das maiores “baiadoras” (dançadoras) do tambor de mina. Muito equilibrada, em nenhum momento se confunde com a posição hierárquica de sua família e, ao lado de Chica Baiana e Antônio de Légua.


Yalorixá Omin Lewancy Andreia Leite

🎶Tereza Légua chegou🎶
🎶Foi no rufar do Tambor🎶
🎶Levanta e sacode a poeira abatazeiro🎶
🎶Que Tereza Légua chegou...🎶

Francisquinho da Cruz Vermelha – é como é conhecido o codoense Francisquinho de Légua. Encantado maduro, bastante machista, mas que não critica a opção sexual dos filhos e nem gosta de comentários sobre esta questão.

🎶Francisquinho da Cruz Vermelha(bis)🎶
🎶Aeá da Cruz Vermelha(bis)🎶

Zé de Légua – possivelmente seria o mais velho, ou um dos mais velhos da família; muito confundido com seu pai José Légua Boji Buá. É bastante alegre e também chamado Zezinho de Légua ou Zé Légua. Tem poucos filhos e está relacionado entre os principais filhos homens da família.

🎶Meu pai é Légua eu sou Légua🎶
🎶Sou da Família de Légua🎶 

Dorinha Légua – é encantada jovem; algumas vezes chamada de Dorinha de Légua, está entre as principais mulheres da família. É muito alegre e brincalhona; é muito ligada ao pai.

🎶Dorinha Légua tá no congar🎶
🎶Dorinha Légua tá no congar🎶
🎶Com o seu chapéu de lado🎶 
🎶Ela veio pra trabalhar🎶
🎶Com o seu chapéu de lado🎶 
🎶Ela veio pra trabalhar🎶
🎶Firmou ponto nessa eira🎶 
🎶Como a força lá do mar🎶
🎶Firmou ponto nessa eira🎶 
🎶Como a força lá do mar🎶
🎶No vento da maresia🎶
🎶Seu cavalo veio selar🎶
🎶No vento da maresia🎶 
🎶Seu cavalo veio selar🎶

Antônio de Légua – Também está entre os principais filhos de Seu Légua. Mesmo assim é brincalhão e farrista, gosta de vir fora dos tambores e é sempre o encantado que faz visitas externas a outras Casas. Gosta mesmo é de ser chefe de terreiro e comandar os rituais, sempre chegando na Frente, até mesmo antes de iniciar o tambor.

🎶É hora é hora🎶
🎶O galo já cantou🎶
🎶Antônio Légua aqui chegou🎶

Expedito de Légua – é maduro; é um dos principais filhos e é quem comanda o Axé mina de Mãe Solange de Abê (aqui em Belém do Pará), filha de Pai Francelino. Brincalhão, gosta muito de beber e fumar, é muito galanteador com as mulheres. Sempre se apresenta de chapéu de couro e cabresto de laçar boi na mão. Diz-se ser um caboclo “cuíra” (irrequieto). 

Lourenço de Légua – é um dos principais codoenses, muito próximo ao pai. Em quase todas as casas desempenha papel fundamental na família. Sempre muito responsável e a frente dos rituais chefiando e organizando. É extremamente alegre.

🎶O gado vai🎶
🎶O gado vem🎶
🎶Lourenço Légua vai correndo atrás (2x)🎶
🎶E o Lourenço tá no Boi, boi boi🎶
🎶Lourenço Légua tá no Boi...🎶

Aleixo Boji Buá – é codoense do Vale do Mearim, sendo uma ramificação de Seu Légua; é novo e meio cismado. Tem filho em algumas Casas, porém desce muito pouco.

Zeferina de Légua – não é muito conhecida e também seria uma descendente de Seu Légua no Vale do Itapecuru.

Pequenininho – é tido como o mais velho dos filhos de Seu Légua e tem uma importância muito grande na família. Dança bastante na boca do tambor, gosta de usar chapéu de palha e tem postura de um homem bastante maduro.

🎶Sou Pequenininho desaforo não aturo🎶
🎶Minha faca tá amolada e meu facão tá na cintura🎶

🎶Sou Pequenininho da Beira do Garapé🎶
🎶Não trabalho para macho🎶
🎶Que fica besta pra mulher🎶

Manezinho Buá – é também chamado Manuel de Légua, Manoel Boá, Manoel Boço, Manoel da Vera Cruz, Manezinho da Cruz  Vermelha; está entre os principais filhos de Seu Légua, tem grande poder de decisão, é extremamente alegre e brincalhão. Gosta muito de conversar e de cantar no tambor.

🎶Manoel Boço🎶
🎶Manoel Boá🎶
🎶Manoel da Vera Cruz🎶
🎶Manoel Boá🎶
🎶Manoel da Cruz Vermelha🎶
🎶Manoel Boá🎶

Zulmira de Légua – é uma ramificação codoense de Seu Légua no Vale do Pindaré, que foi aparecer em Manaus na Casa de Badé, sendo pouco conhecida, mas adora turbantes e panos coloridos. É encantada jovem.

Mearim – é um codoense que apesar de não estar entre os principais filhos de Légua, comanda uma grande ramificação de Seu Légua na região do Vale do Mearim, de onde tomou seu nome. Sabe cantar e dançar muito bem. É jovem e às vezes quer ser um grupo independente. Ter a sua própria família de Boiadeiros, os chamados Boiadeiros de Mearim.

🎶Mearim, Mearim, Mearim Codó🎶
🎶Codó não é Mearim🎶
🎶Mearim não é Codó🎶

Folha Seca – está como um dos principais; é encantado maduro, dizem ser legítimo filho de Légua.

🎶Eu nasci no arvoreiro🎶
🎶E me criei lá no alto do mar🎶
🎶O meu nome é Folha Seca🎶
🎶Filho de Légua Buá🎶

Maria Rosa – é uma das filhas de Seu Légua pouco conhecida, tendo se popularizado no Pará. Muitas vezes é confundida com Rainha Rosa, senhora do Codó, de quem empresta suas cantigas, fazendo algumas adaptações. Foi muito famosa na cabeça de Mãe Ester de Oiá (Belém). Trabalhando na cura e aconselhamento, sempre muito obediente a seu irmão Antônio de Légua. Dirige tambor e é tida como muito bonita. 

Caboclinho – às vezes vem no Codó e outras vezes na família da Mata sendo caboclo “passeador”, aquele encantado que vem em várias famílias. É jovem, alegre, gosta de dançar e beber. 

João de Légua – um dos filhos de Seu Légua pouco conhecido. Maduro, alegre e algumas horas chamado de Joãozinho de Légua. Tem poucos filhos.

Joaquinzinho de Légua – também conhecido como Joaquim de Légua e faz parte do grupo dos principais da família; algumas horas é confundido com Joaquinzinho da Gama. Não tem muitos filhos. 

Pedrinho de Légua – um dos principais filhos de Seu Légua; jovem, alegre e muito embora seu nome seja Pedro, nunca admite ser assim chamado. Tem grande importância na família por saber doutrinar cantigas antigas.

Dona Maria José – é também conhecida como Dona Florzinha e aí se apresenta como princesa, aliás, uma das raras do Codó e que mesmo quando sua família passou para o Codó adaptando-se ao povo da terra e perdendo a condição vodun, ela se manteve princesa e se diz “vodunsa”. Está entre as mulheres mais importantes de sua família, sendo que alguns mineiros a confundem com sua irmã Maria de Légua.

🎶Que flor mais linda, que ela é🎶
🎶Ela é linda flor de maio🎶
🎶Ela é Maria José🎶
🎶É Maria José(bis)🎶
🎶Que flor bonita que ela é...🎶

Coli Maneiro – é um dos principais homens filhos de Légua, sendo menino. Ainda bastante conhecido e tendo muitos filhos, é extremamente extrovertido.

Martinho – também está no grupo dos principais filhos de Seu Légua, mas, ao contrário de seus irmãos, tem poucos filhos. É adulto e seguindo a tradição da família gosta de fumar e beber. 

Miguelzinho Buá – algumas vezes é chamado Miguelzinho de Légua, Miguelzinho Boji, está dentre os quinze principais homens da família. Ainda é bastante conhecido e tem muitos filhos. Seu nome é Miguel Boji Buá(...). Tem o mesmo costume que seus irmãos. 

Ademar de Légua – fecha o grupo dos principais filhos, mas é bastante desconhecido no meio dos mineiros, a não ser entre os que mantém em suas casas um culto mais regular da família de Codó.

Zé Pretinho: Camaroeiro, muito respeitador, sempre sério, comanda seções, gosta de tomar cachaça pura, é um agregado de Légua, é o boiadeiro chefe de nossa casa ACALUZ - Associação Cultural Axé e Luz. Faz trabalho com os que procuram melhorar sua saúde e bem estar. Tá sempre com seu chapéu, seu rosário Marrom, Branco e Amarelo com sementes. Fuma cigarro normal. Mas gosta de beber na cuia. É mestre de Catimbó Jurema, mas se confunde com Malandros da Praça Mauá, nascido no morro do Cantagalo no Rio de Janeiro, além de muitos outros que devem existir no meio dos boiadeiros do Codó.

I
🎶Ele veio no clarão da Lua🎶
🎶Vem montado em seu alazão🎶
🎶É boiadeiro, José Pretinho ele não é feiticeiro não🎶

II
🎶Zé Pretinho é Caboclo Faceiro(bis)🎶
🎶Só anda montado, no morro de areia🎶
🎶Só anda montado em cavalo alheia🎶

Além desses ainda aparecem na família de Seu Légua: Seu Aderaldo de Légua, mais conhecido como Aderaldo Boji Buá, além de Benedito de Légua, Joventino de Légua, Marcelino de Légua, Nezinho de Légua, Valquiria de Légua, Ricardo de Légua, Domingos de Légua, Benedita de Légua, Francisquinha de Légua, Firmino Légua, Venâncio Légua, Hilda Légua e mais recentemente pudemos conhecer as encantadas Légua Salana, Leguarana, ambas da Casa do Babalorixá Orlando Bassu Machado. Nitidamente uma legião de encantados agregados a uma única família. E ainda sim, faltam muitos nesta relação. 

I
🎶Já selei o meu cavalo🎶
🎶Ainda ontem não selei🎶
🎶Eu vim baiar na mina🎶
🎶Para ver se está como eu deixei🎶


II
🎶O povo de Légua 
🎶É vaqueiro sim senhor,
🎶Na eira do meu pai,
🎶Todo LÉGUA é baiador,

III
🎶O povo de Légua vem beirando o Igarapé🎶
🎶Vem chegando aqui na eira🎶 
🎶No balanço da maré🎶

IV
🎶Da cachaça pra esse povo🎶
🎶Que na eira já chegou🎶
🎶Eles vem balançando🎶 
🎶Na pancada do tambor🎶

Ainda vem na família um encantado chamado Antônio Luís, também chamado de Corre Beirada, que é filho de Dom Luís Rei de França mas foi criado por Seu Légua. Turco agregado aos boiadeiros, há outros que dizem que ele é irmão de Légua, assim como muitos.
I
🎶Corre Beirada já chegou🎶
🎶Corre beirada...🎶
🎶Corre beiras e beirinhas🎶
🎶Corre beira das casadas🎶
🎶E também das solteirinhas🎶

       II
🎶Se chama Antônio Luiz🎶
🎶Estrela da Madrugada🎶
🎶Na mata do Maranhão🎶
🎶Se chama Corre Beirada🎶

Como vimos, esta família é Comandada por Dom Pedro Angaço, suas cores litúrgicas são: Marrom - Representando a Família de Vodun Jeje. Vermelho - Representando Toy Badé, Amarelo - Representando Santa Barbara, Rainha do Codó. Branco - Representando a origem mistica de Lissá-Mawú, o branco da paz.
Camaroeiro
Fica a critério de cada casa a montagem de suas guias e Rosários, pois depende muito da entidade, mesmo que eu diga que as balizas e firmas são sempre marrom e amarelo, vocês vão dizer que é branca. Aqui na Associação Cultural Axé e Luz (ACALUZ), codoense usa Marrom, Amarelo, Preto e Branco.
E muitos pais de santo no Maranhão dizem que as cores dos rosários da Família de Légua na verdade está ligada a Bandeira do Estado (A bandeira do Maranhão, adotada oficialmente do dia 29 de dezembro de 1889 pelo Decreto nº 6, foi criada pelo poeta Sousândrade. As cores vermelha, preta e branca simbolizam a mistura de raças do povo do Maranhão. No canto superior esquerdo está um quadrado azul como fundo que representa o céu, e uma estrela branca de cinco pontas que simboliza o Estado como integrante da federação. A faixa governamental maranhense, que também é um símbolo estadual, segue as cores da bandeira).
Eles costumam beber TIQUIRA (bebida tradicional do Maranhão), Cachaça, Vinhos e outras bebidas destiladas, além das bebidas litúrgicas como AFURÁ, VEVÉU e ALUÁ. Fumam Charutos e Cigarros, sendo que os mais velhos da família costumam fumar Cachimbo. Usam lenços estampados, hora amarrados na cabeça por debaixo do chapéu, hora passado pelos ombros e, por vez, feito laços no braço, este uso afirma sua origem Moura (Povos originários do norte do continente africano, principalmente, do Marrocos, Mauritânia, Tunísia dentre outros, de religião Islâmica que dominaram a península Ibérica há muito tempo).

Em seus rituais de fundamento são utilizados o ABOBÓ (Comida preparada com feijão branco de olho preto e azeite de dendê, em alguns lugares como aqui mesmo no Pará é feito com Abobora ou Moranga, Milho de Galinha Cozido, Coco em pedaços, Enfeitado com Tabaco desfiado, regado com dendê, cachaça e mel), que são consumidos por filhos e entidades. Os animais de sacrifícios nos assentamentos são Galos ou Galinhas mouras, pombo pedrês, o Chibarro (bode). Adoram Santa Barbara, como sua santa maior de devoção, com o nome de Maria Barbara Soeira com quem abrem ou fecham seus rituais...
Légua tem seu nome ligado às memorias do tempo do cativeiro como protetor dos escravos e seu defensor nas lutas espirituais ou materiais travadas com os senhores. Os negros viviam roubando gado para comer e quando o dono dava por falta do boi, começava logo a bater/torturá-los nas senzalas. Aqui vale destacar, que os negros faziam uso desse expediente, do roubo de gado dos seus senhores, por se alimentarem muito mal, ficando longos períodos sem receber alimentos e, quando isso ocorria, não satisfazia suas necessidades nutricionais. Um dia um negro estava sendo castigado e invocou a proteção de Légua e este fez com que o senhor visse um boi no Curral e, assim, parou de castigá-lo. Este episódio explica porque várias doutrinas de Légua falam em boi.
Agregados na família de Légua ainda temos, Boços e Voduns Cambinda: Dom Pedro Estrela, Corre Beirada, Dom João de Aroeira, Boço Memeia, Boço Vandereji, João Soeira - Vodum Cambinda, de origem Austríaca, chefe da família dos Bastos, Rei das Minas, Equivalente a Xangô Dadá. E com ele sua família: Boço Fama, Boço Jara, Dom José da Graça Lira, Onofre Caçador da Mata, Barão de Anapueira, Rosa de Maceodá, Zé de Amar a Deus, Carrinho Doeira, Estrela Ferreira do Céu...

Seu Légua a partir de sua entrada na família do Codó, começou a tomar benção de Dom Pedro Angaço em respeito pelo acolhimento, passando assim a ser considerado como filho e passou a ser reconhecido como tal. Em gratidão Dom Pedro Angaço, deu a seu Légua a Chefia da Linha de Caboclos da Mata do Codó, sendo ele o principal representante. E por ter vindo de Trinidad Légua Boji passou a ser chamado de Légua Boji Boa da Trindade. Seu maior segredo é que ele é COJUBA/ROTO (Tem os testículos desenvolvidos de forma monstruosa, uma espécie de Hérnia) e, portanto, não possui nenhum filho de sangue, apenas de Criação e Respeito. Existe no Maranhão uma divisão na Família de Légua em três grupos, que são: Os Vaqueiros, Os Capineiros e os tangedores de Gado. Boiadeiro só existe um, seu Légua, que comanda toda boiada.
🎶Toro e Cavalo Brabo ele amansa🎶
🎶Ele não tem medo (da Onça)🎶
🎶Ele Saiu da Mata🎶
🎶Foi de manhã bem sedo🎶
🎶Toro e Cavalo Brabo🎶
🎶Ele Faz é Brinquedo🎶
Como podemos perceber, a Família do Codó, o povo de Leguá apesar de ser umas das mais famosas do universo místico-religioso da umbanda, terecô, tambor da mata e da Mina. Ainda possuem muitos fundamentos, saberes e segredos a serem discutidos, revelados e rememorados. Um povo do plano superior que representa fortemente a própria população brasileira terrena, em sua diversidade, alegria, modo de ser e agir, histórias de luta, trabalho, sofrimentos e que por agregar, reunir e acolher a todos que a ela recorram no mundo cósmico e que ainda recorrem no mundo concreto, representa o que há de mais humano e forte - o amor que ultrapassa os limites entre os mundos. 


Por isso, irmãos e irmãs de fé, aprendemos com os exemplos nos dado por Pedro Angaço e Seu Leguá Boji Buá, que aceitam a todos e a todas em sua família sem fazer distinção de cor, classe social, origem e/ou sexo. Mas sim, enxergaram e enxergam as suas potencialidades e capacidades de olhar pelo próximo em novas missões pelo bem daqueles que ainda estão em busca de suas evoluções espirituais.
  I
🎶Já baiei, já baiei🎶
🎶Vou embora para o Maranhão🎶
🎶Vou levar minha boiada🎶
🎶Pra passar no boqueirão🎶

II
🎶Daqui para minha casa são sete léguas🎶
🎶Por mar ou por terra são sete léguas🎶
🎶Sete léguas, sete léguas🎶
🎶Por mar ou por terra são sete léguas🎶

III
🎶Vou embora pro Maranhão🎶
🎶Que no Pará ninguém quer🎶
🎶Sou moço sou temeroso🎶
🎶Sou homem, não sou mulher🎶

Bibliografia de Leituras recomendadas no site da ACALUZ.
http://www.acaluz.com/2012/11/encantaria-maranhense-um-encontro-do.html
http://www.acaluz.com/2009/12/cantando-para-boiadeiros.html
http://www.acaluz.com/2009/07/legua-bogi-bua-uma-pequena-historia-de.html
http://www.acaluz.com/2009/07/gira-de-boiadeiros.html
https://www.facebook.com/Acaluz/?ref=bookmarks

Por. Adriano Figueiredo - Presidente da ACALUZ
Imagens: Acervo da ACALUZ e do Google - Meramente ilustrativa.
Texto atualizado em 30/04/2019 - às 14h00.