segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Baiano Grande Chapéu de Couro


Para fazer um breve comentário a respeito do Encantado Baiano Grande, falemos da Família em primordial, pois de nada adianta falar de um caboclo isoladamente sem falar da família:
CABOCLOS BAIANOSSão os caboclos baianos também popularizados através da umbanda, mas o tambor – de – mina não os reconhece como originários do estado da Bahia, mas de uma baía no sentido de acidente geográfico ou de um lugar desconhecido existente no mundo invisível. Brincalhões e muito falantes, os baianos mostram-se sensuais e sedutores, às vezes inconvenientes. Cores: verde, amarelo, vermelho e marrom. 

Baiano Grande Constantino Chapéu de Couro – é o pai, rei e chefe da família. Antigamente, quando descia, apresentava-se como um vaqueiro, usando chapéu de palha grande, mas hoje em dia quase não desce, sendo seu nome mais lembrado por seus filhos encantados que, segundo a tradição da mina, não cantam para nenhum membro sem antes louvar o chefe da família. Quando vem na linha de caboclo, é Baiano Grande; quando vem como nobre, é Rei Salvador ou Rei da Baía. Este encantado ainda é muito visto nos terreiros aqui nas bandas do Pará. Mas tem ficado raro. Chefe de Falanges, sempre muito respeitado, porém cada vez mais ausente. Ficando a cargo de seus filhos a lembrança as homenagens e obrigações rotineiras da religião para sempre ser lembrado e permitir que a energia deste não desapareça dos terreiros.
Para a mina, os baianos seriam uma família de encantaria pouco difundida e com poucos membros conhecidos e que recebe festa no dia 27 de setembro, tendo na chefia Baiano Grande Constantino Chapéu de Couro, dona Chica Baiana e Baianinho. Às vezes se aproximam dos codoenses, sendo seus aparentados, em outras são parentes da família da Turquia.
Na umbanda, os baianos seriam um certo tipo, não bem definido, de caboclos nordestinos e que têm no estado da Bahia sua origem principal, algumas vezes dizendo-se pernambucanos ou paraibanos. Essas entidades são bem definidas em São Paulo, mas desconhecidas em outros estados, principalmente no Rio, onde a umbanda surgiu.
Os baianos não recebem culto no candomblé e até os originários da umbanda que os carregam costumam despachá-los quando são iniciados para orixá.
O baiano da umbanda fala um “baianês” estereotipado, gosta de batida de coco, come farofa com pimenta e faz magia em cocos secos com pólvora. Usa roupas que lembram os cangaceiros. Entre outros aparecem Lampião, Mestre Virgulino, Maria Bonita, Malandrinho, baiano Jerônimo, a baiana Glória, Carlão e Maria Redonda.
Na visão da Babá Helena do Caboclo Itatuité, do Rio de Janeiro, com 78 anos de idade e 56 anos de casa aberta, o baiano seria descendente do preto – velho e não do caboclo. Era bem desconhecido nos terreiros do Rio. Outras vezes seria um boiadeiro transformado. Ela afirma que na umbanda do Rio e Janeiro o forte é o caboclo, o preto – velho e o exu.

Cantigas:
Baiano Grande Chapéu de Couro
Calcanhar de Requeijão
Quem te deu a confiança, baiano
de baiar neste salão
Confiança sempre teve
a baia é seu lugar
valei-me nossa Senhora
e São José do Ribamar

II
Ele e Baiano
Ele arrebenta a sapucaia
E e meu pai
Ele arrebenta a sapucai

Ele e da Bahia
Esse Baiano vale ouro
Ele da Bahia
salve seu chapeu de couror.

III
Nossa Senhora da Lapa
da Lapa de Santa Cruz
Baiano Quebra Mandiga
Nos pés da Santa Cruz

IV
Baino é povo bom
tem mironga no Gongar
Mandiga ele trás
Feitiço no Samba
Samba Baiano
Samba Sinhá
Baiano Vai embora
Levando todos os má.

Video do Youtube com Cantigas de Baianos



Por. Adriano Figueiredo Leite - Presidente da ACALUZ
Diego Bragança de Moura - Historiador da ACALUZ
Site de Apoio: Youtube.com
Material de Apoio: Mundicarmo Ferret
Mírian A. Tesserolli* [mirian uft.edu.br]

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

ÁGUAS SAGRADAS


Sua utilidade é variada. Serve para os banhos de amacis, para cozinhar, para lavar as guias, para descarregar os maus fluídos, para o batismo. Dependendo de sua procedência (mares, rios, chuvas e poços), terá um emprego diferente nas obrigações.
A água poderá concentrar uma vibração positiva ou negativa, dependendo do seu emprego.
A Água é um fator preponderante na Umbanda. Ela mata, cura, pune, redime, enfim ela acha-se presente em todas as ações e reações no orbe terráqueo, basta exemplificar com as lágrimas, que são água demonstrando o sentimento, quer seja positivo ou negativo.
Sabemos que três quartas partes do globo, do planeta que habitamos, são cobertas por água; 86,9% do corpo humano é composto de água ou carboidratos; mais ou menos 70% de tudo que existe na Terra leva água, tornando-se desta forma o fator predominante da vida no Planeta. Por esta razão, ela é utilizada na Quartinha, no copo de firmeza de Anjo de Guarda.
Ás vezes, um guia indica: Coloque um copo com água do mar ou água com sal atrás da porta.

Qual é o porquê disto?
Por que a água tem o poder de absorver, acumular ou descarregar qualquer vibração, seja benéfica ou maléfica. Nunca se deve encher de água, o copo até a boca, porque ela crepitará. Ao rezar-se uma pessoa com um copo de água, todo o malefício, toda a vibração negativa dela passará para a água do copo, tornando-a embaciada; caso não haja mal algum, a água ficará fluidificada. Nunca se deve acender vela para o Anjo da Guarda, para cruzar o terreiro, para jogar búzios, enfim, sem ter um copo de água do lado. A água que se apanha na cachoeira, é água batida nas pedras, nas quais vibra, crepita e livra-se de todas as impurezas, assim como a água do mar, batida contra as rochas e as areias da praia, também acontece o mesmo, por isso nunca se apanha água do mar quando o mesmo está sem ondas.
A água da chuva, quando cai é benéfica, pura, porém, depois de cair no chão, torna-se pesada, pois atrai a si as vibrações negativas do local.
Por esse motivo nunca se deve pisar em bueiros das ruas, porque as águas da chuva, passando pelos trabalhos nas encruzilhadas, carregam para os bueiros toda a carga e a vibração dos trabalhos; convém notar que os bueiros, mas próximos da encruzilhada são os mais pesados, porém não isenta de carga, embora menos intensa, os demais bueiros da rua.
A importância da água pode ser traduzida numa única palavra: "VIDA!".
Sem água a vida é impossível.
A Água está presente em praticamente todos os trabalhos de Umbanda, e sua função é importantíssima.
Por seu poder de propiciar vida ela atrai a vida à sua volta, seja material ou Espiritual.
As águas utilizadas para descarrego têm funcionamento parecido com a fumaça, sendo que a fumaça carrega as energias consigo similar ao vento, e a água absorve estas energias.
As águas em copos nas obrigações significam energia vital, e nos copos junto às velas de Anjo da Guarda ou atrás das portas de entrada, têm a finalidade de atrair para si as energias que por ali passam, atraídas pela Luz ou passando pela porta.
Os copos de água utilizados para estes fins (Anjo de Guarda ou atrás das portas) devem ser descarregadas pelo menos de 7 em 7 dias, pois senão ficarão saturadas e perderão seu poder de absorção. Esta descarga deve ser feita em água corrente (na pia com a bica aberta, por exemplo), pois simboliza movimento, necessário para transportar as energias absorvidas por ela.
Conhecemos e fazemos uso em rituais de água de procedência de dez campos sagrados.
1.  Rocha: Água detida em saliências nas rochas. Ligada a Xangô - entre suas funções, traz força física, disposição, boa-vontade, sabedoria.
2.   Mar: Ligada a Iemanjá - imã de energias negativas, antisséptico e cicatrizante, fertilidade, calma.
3.  Mina: Ligada a Oxum e Nanã - força, vitalidade - é a mais indicada para se utilizar nas quartinhas e em assentamentos de anjo-de-guarda.
4.  Mar doce: Encontro de rio e mar. Ligada a Ewá - trato do corpo sentimental, humor, bom senso e independência.
5.  Chuva: Ligada a Nana e Oxum - excelente função de limpeza e descarrego.
6. Cachoeira: Ligada a Oxum e Xangô - sentimentos, afeto, força de pensamento, alegria, jovialidade.
7. Rio: Ligada a Oxum (na correnteza) e a Obá (nas margens) - determinação, bons pensamentos.
8.   Poço: Ligada a Nanã - resistência, sabedoria.
9.   Lagos e Lagoas: Ligada a Oxumarê - inventividade, imaginação.
10. Orvalho: Recolhido das folhas, ao alvorecer do dia. - Ligado a Oxalá - calma, paciência, fecundidade.

Todas podem ser utilizadas em banhos, assim além de portadoras de seus próprios axés, serve de veículo para o axé dos demais componentes do banho.
Em especial, a mayonga é feita usando-se sete destas águas, dependendo do Orixá da Iaô, e no assentamento de Oxalá da casa, enche-se o pote (quartilhão, porrão...) com todas as dez águas citadas.
Estas águas devem preferencialmente ser recolhidas e armazenadas, utilizando-se potes de louça branca virgem, e só utilizadas para esse fim, por filhos de Oxalá ou Iabás.
Algumas águas não podem e não devem ser armazenadas por muito tempo, "água parada apodrece".
 
AS ÁGUAS E OS ORIXÁS FEMININOS  (CANDOMBLÉ)
      A água é muito utilizada nas casas de Candomblé. Em muitos ritos ela aparece tendo um significado muito importante, desde o rito do padê, até o ritual das águas de Oxalá.
      Colocar água sobre a terra significa não só fecundá-la, mas também restituir-lhe seu sangue branco com o qual ela alimenta e propicia tudo que nasce e cresce em decorrência, os pedidos e rituais a serem desenvolvidos. Deitar água é iniciar e propiciar um ciclo. As águas de Oxalá pelas quais começa o ano litúrgico Yorubá tem precisamente este significado.
      É comum ao se chegar a uma entrada de uma casa de Candomblé vir uma filha da casa com uma quartinha com água e despejar esta água nos lados direito e esquerdo da entrada da casa. Este ato é para acalmar Exu e também para despachar qualquer mal que por ventura possa estar acompanhando esta pessoa. Neste caso, a água entra como um escudo contra o mal.
      Entre os orixás femininos, destacamos aqui Nana que está associada à terra, à lama e também às águas. Nana no antigo Daomé, é considerada como o ancestral feminino dos povos fons.
      Outro orixá feminino associado à água é a orixá Oxum. Oxum tem toda a sua história ligada às águas, pois, na Nigéria, Oxum é a divindade do rio que recebe o mesmo nome do orixá.
      Oyá ou Iansã, divindade dos ventos e tempestades, também está ligada às águas, pois na Nigéria Oyá é dona do rio Niger, também chamado pelos yorubás de Odò Oyá ou "Rio de Oyá".
      Não diferente dos demais orixás femininos, Iemanjá também está muito ligada às águas. É o orixá que em terra yorubá é patrona de dois rios: o rio Iyemonjá e o rio Ogum - não confundir com o orixá Ogum, Deus do ferro. Daí Iyemonjá estar associada à expressão Odò Iyá, ou seja, "Mãe dos Rios".
      Resumindo, a água é um elemento natural aos orixás femininos. Não só dentro do culto de Candomblé, mas como em toda a vida, ela é de suma importância pois, como é dito, a água é o princípio da vida.
 Por. Adriano Figueiredo Leite - Presidente da ACALUZ
 Diego Bragança de Moura - Historiador da ACALUZ

 Site de Pesquisa: www.caboclajurema.com.br/elementos.htm 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Grupo de Estudos WhatsApp


A ACALUZ, tem a honra de convidar a todos os irmãos de fé para participarem do grupo de estudos via WhatsApp, onde a participação é com divisão de materiais de estudos. Você recebe material no Grupo ou por e-mail: estudos sobre os temas mais relevantes, discute assuntos via Grupo ou PV, tira suas dúvidas e tira nossas duvidas também, o Grupo é para estudos, tão somente para estudos. Para que ninguém publique seus números aqui no Blogger é só chamar no número do Grupo que adicionaremos com toda honra. Vale ressaltar que o Grupo é de Estudos, para quem quer aprender e compartilhar sobre a religião Umbanda, Candomblé, Pajelança e afins da área. O grupo e materiais são supervisionados por nosso Historiador Diego Bragança de Moura. Esperamos contato de todos. E desde já agradecemos a participação dos irmãos de fé.