sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Pontos Cantados de Exu



SARAVÁ SEU TRANCA RUAS: EXÚ É MOGIBÁ

LADAINHA DE EXÚ
É mogibá seu Exu Rei é mogibá
É mogibá Seu Exu Rei é mogibá
Seu Tranca Ruas na Quimbanda é mogibá
É Mogibá Seu Tranca Ruas é mogibá
É mogibá Exu do Lodo é mogibá
É mogibá Exu do Lodo é mogibá
Tatá Caveira na calunga é mogibá
É mogibá Tata Caveira é mogibá
É mogibá seu Marabô é mogibá
É mogibá seu Marabô é mogibá
Seu Toco Preto lá na mata é mogibá
É mogibá seu Toco Preto é mogibá
É mogibá Exu Mangueira é mogibá
É mogibá Exu Mangueira é mogibá
Exu Veludo na magia é mogibá
É mogibá Exu Veludo é mogibá
Seu Tiriri lá no retorno mogibá
É mogibá seu Tiriri é mogibá
É mogibá Exu dos Rios é mogibá
É mogibá Exu dos Rios é mogibá
A Pomba Gira na defesa é mogibá
É mogibá a Pomba Gira é mogibá.

I

O sino da igrejinha faz Belém bem bom
Deu meia noite o galo já cantou
Seu Tranca Ruas que é o dono da gira
Corre a gira que Ogum mandou.

II

Seu Tranca Ruas que nasceu na Rua,
Se criou na rua e na rua morreu
Seu Tranca Ruas,
Seu Tranca Ruas ele é dono da rua.

III

Corre, corre encruzilhada.
Seu Tranca Ruas já chegou
Vem da porteira da calunga sou!

IV

Vem dos campos de Marabô Exu ê
Tranca Ruas esta no reino
Ai meu Deus o que será
Ele vem da sua banda
Pras tronqueiras segurar
Seu Tranca Ruas
Seu Tranca Ruas
Ele é home de fama
Seu Tranca Ruas
Seu Tranca Ruas
Ele vence demanda

V

A estrela vai
O sol clareia
A lua volta e o Exu já esta na aldeia
Ilumina o mundo
Ilumina o mar
Ilumina a terra, onde Exu vai trabalhar
Seu Tranca Ruas chegou
Vem do alto lá da serra
Exu já foi coroado
Com seu conselho de guerra.

VI

Salve o sol
Estrela salve a lua
Saravá seu Tranca Ruas
Que é o dono da gira no meio da rua

VII

Ele é o capitão da encruzilhada ele é
Ele é ordenança de Ogum
Sua divisa quem lhe deu foi Omulu
Sua coroa quem lhe deu foi Oxalá
Exu, Exu Tranca Ruas.
Me abre o terreiro e me fecha rua
Exu, Exu Tranca Ruas.
Me abre o terreiro e me fecha rua

VII

Tranca Ruas é uma beleza
Nunca vi Exu assim
Ele é madeira que nunca vai dar cupim
  
VIII

Soltaram um pombo na mata
Na pedreira não pousou
Foi pousar na encruzilhada
Tranca Ruas quem mandou

IX

Seu Tranca na encruza
De joelho a gargalhar
Eu entrego oferenda
Agradeço sua força

X

Viva as almas
Salve a coroa e a fé
Ele é Exú das Almas
Ele é Exú de fé

XI

O luar, o luar, o luar.
Mas ele é dono da rua
Quem tiver as suas culpas
Peça perdão a Tranca Ruas

XII

Quanto sangue derramado
Encima daquele chão
Aonde mora Tranca Ruas
Mora lá no meu portão

XIII

Meu Santo Antônio de batalha
Faça de mim batalhador
Mas não me deixe andar sozinho Santo Antônio, Tranca Ruas e Marabô.

XIV

Estava dormindo na beira do mar
XVII

Quando as almas me chamou
Exú vai trabalhar
Acorda Tranca Ruas vem guerrear
O inimigo está invadindo
A porteira e o curral
Ponha mão nas suas armas vem guerrear
Bota o inimigo para fora,
Para nunca mais voltar
Já chegou a hora de seu Tranca Ruas

XVIII

Já chegou a hora do trabalhador
É general, ele é doutor.
Ele vence guerra ele é curador

XIX

Quando passar naquela encruza.
Mas não se esqueça de olhar pra traz
Olha que lá tem morador
Seu Tranca Ruas é quem mora lá

XX

Estava dormindo
Curimbando me chamou
Acorda minha gente
Tranca Ruas já chegou

XXI

Em cima daquela mesa
Tem sete facas cruzadas
Ora viva Tranca Ruas
Sem Exu não se faz nada

XXII

Naquela encruzilhada tem um Rei
E este Rei se chama Tranca Ruas
Na outra tem outro rei, Marabô e a Rainha Pombogira.

XXIII

Era meia noite
Quando Exu chegou
Com sua faca de ponta
Dizendo que é doutor

XXIV

Exu dizendo
Dizendo que era doutor
Cemitério é praça linda
Ninguém quer lá passear
Cemitério é casa branca
É casa de Exu morar

XXV

No dia que Exu se casou
Uma festança ele deu
A carne que tinha no prato
Exu foi quem comeu
Egungum inimigo meu
Quem tem olho mau não olha pra eu

XXVI

Exu matou carneiro
Não quis comer sozinho
Chamou seus camaradas
Dividiu em pedacinhos

XXVII

Exu é ferro
Exu é aço
Exu é ferro
E quebra todo embaraço

XXVIII

Deu meia noite
Cemitério treme
Catacumba abre
E o defunto geme

XXIX

Eu fui no cemitério
Às onze horas do dia
Exu se levantava
Catacumba tremia

XXX

Olha quem esta lá fora
De capa e cartola
E tridente na mão
Será seu Tranca Ruas será

XXXI

Bate ferro mano
Quero ver bater
Se és o ferro
Eu sou o aço
Se és demônio
Eu te embaraço

XXXII

Exu Rei das 7 Encruzilhadas / Exu Tranca Ruas
Mas dizem que Exu só bebe e da risada
Mas ele é Exu é o Rei das Sete Encruzilhadas
Seu Tranca queima tuia e não tem mistério
Exu mora na encruza lá do cemitério
A sua gira é forte e não tem caçoada
Depois da hora grande vai girar na encruzilhada

XXXIII

Exu da Meia Noite / Exu da Encruzilhada
Exu da Meia Noite
Exu da Encruzilhada
Salve o povo da quimbanda
Sem Exu não se faz nada

XXXIV

Pomba Gira Cigana
Vinha caminhando a pé
Para ver ser encontrava
A Pomba Gira Cigana de fé
Ela parou e leu minha mão
E disse toda verdade
Amigo, você não se engana,
Pois ela é Pomba Gira Cigana.
Bem, que eu te avisei.
Para você não jogar esta cartada comigo
Você apostou na dama
E eu apostei no valete
Amigo você não se engana
Mas ela é a Pomba Gira Cigana

XXXV

Eu ganhei uma barraca velha
Foi a Cigana quem me deu
O que é meu é da Cigana
O que é dela não é meu

XXXVI

Pontos de Subida
Exu bebeu
Exu já curiou
Exu vai embora
Que a encruza lhe chamou

XXXVII

Exu levanta o ponto
Que já chegou a hora
O galo já cantou
Exu já vai embora
A estrela já brilhou
A terra estremeceu
Exu levanta o ponto
A hora já deu

XXXVIII

O galo já cantou minha cangira
Já é de madrugada
Minha cangira
Exu já vai ao ló
Minha cangira
Calunga com calunga
O Exu vai embora

Adeus ele vai girar


Por. Adriano Figueiredo - Zelador de Terreiro - Presidente da ACALUZ
Historiador: Diego Bragança de Moura.
Fonte: Abaça Afro-Brasileiro de Juliana e Banzeiro Grande.